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“Não há uma mudança de caminho no ESG, de todo”

A secretária-geral do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD) diz que o caminho dos temas ESG (ambientais, sociais e de governança) vai continuar a ser feito, mesmo enfrentando algum contravapor, e que as PME têm de se preparar. Defende que deve ser acrescentado um E à sigla, de economia, porque o negócio tem de estar no foco. E que é necessário formar também os gestores.

O BCSD cumpre 25 anos e a diferença é grande, desde o início até agora. Quais foram as principais mudanças?
Tem muito a ver com a quantificação, com a organização de dados. A sustentabilidade, como a conhecemos hoje, nasceu, em muito, do momento que se estava a viver, com problemas ambientais que os cientistas começaram a trazer a público, e que depois levaram à assinatura de compromissos internacionais relacionados com as alterações climáticas, sendo o Protocolo de Quioto [adotado em 1997 e em vigor desde 2005] um grande chapéu, como sabemos.
Eu acho que o que revolucionou foi a ciência ter começado a tratar esta informação e esta ter sido passada ao público. E esses dados estarem correlacionados exatamente com a alteração do clima. Alterou a perceção das pessoas.
Claro que depois o que descobrimos foi uma série de problemas correlacionados. Quando se mexe num impacta outro. A sustentabilidade, no início, do lado das empresas, era muito ligada à responsabilidade corporativa, o que está certo, porque também há espaço e trabalho para essa área, mas depois percebeu-se que a sustentabilidade tinha de crescer para uma série de outras áreas. É aquilo que hoje é traduzido pelo ESG [ambiental, social e de governança, na sigla inglesa], mas que é melhor traduzirmos por EESG, porque a componente económica ou a competitiva está sempre em cima da mesa também, aliás, acho que ela nunca foi desligada. Diria que é a sustentabilidade nestes quatro pilares que mudou. De repente teve de se desenvolver já não só para aquele problema que era as alterações climáticas, mas para uma série de outros. A sustentabilidade teve de começar a olhar para as pessoas, teve de começar a olhar para processos de governança. E isto sempre, também, dentro da lógica da competitividade. Porque também nessa altura transformámos a economia numa economia global. Essa é a maior revolução.
Agora, nestes últimos anos, estamos mais concentrados em trazer a transparência e o escrutínio para cima da mesa. Porque já temos esses dados, então, vamos lá fazer um escrutínio e vamos permitir que pessoas, indivíduos, financiadores, investidores, a sociedade, tomem as decisões certas para alinhar aquilo que é um ideal de sociedade que nós queremos encontrar. Porque não nos esqueçamos deste objetivo, que é que visão é que nós queremos para o nosso futuro. É isto que a sustentabilidade pretende traduzir. Acho que muitas vezes se desliga desse objetivo maior. Parece que agora só temos de apresentar um papelinho com uns dados, não, o objetivo maior é realmente cada um ajudar a construir uma sociedade melhor.

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