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Fundos sustentáveis fecham no vermelho pela primeira vez

O ano passado marcou uma inversão histórica no investimento sustentável, que fechou no vermelho, com 84 mil milhões de dólares (cerca de 77 mil milhões de euros) em resgates líquidos nos fundos especializados, que comparam com 38 mil milhões de dólares (35 mil milhões de euros) de entradas em 2024.

É a primeira quebra anual desde que a Morningstar faz esta monitorização.
Parte relevante destes movimentos resultou da decisão de grandes investidores institucionais do Reino Unido de abandonarem fundos ESG padronizados para criarem mandatos autónomos, desenhados à medida e com maior controlo sobre critérios de investimento.
O contexto agravou a tendência: tensões geopolíticas, pressão política sobre critérios ESG, dúvidas regulatórias e resultados financeiros pouco consistentes reduziram a atratividade relativa destas estratégias. Europa e resto do mundo registaram, pela primeira vez, saídas anuais. Nos Estados Unidos, foi o terceiro ano consecutivo de resgates.
No mesmo período, o universo global de fundos abertos e ETF captou quase 1,7 biliões de dólares (1,56 biliões de euros), sinal de que o capital não saiu do mercado, mas foi redistribuído.
Apesar disso, os indicadores de intenção permanecem elevados. Segundo o Morgan Stanley Sustainability Institute, 88% dos investidores individuais globais manifestam interesse em investimento sustentável e 86% dos proprietários de ativos admitem reforçar nos próximos dois anos.
O setor entra em 2026 em fase de ajustamento. A atenção desloca-se para riscos físicos do clima, financiamento da transição energética, consolidação do mercado de obrigações verdes, integração de biodiversidade e riscos associados à inteligência artificial. Uma etapa mais seletiva.

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