Marine Le Pen pode ser candidata às presidenciais francesas do próximo ano, decidiu esta terça-feira um tribunal de recurso de Paris. Pouco depois, a líder da extrema-direita gaulesa anunciava o que já era esperado: que será candidata – e que, Jordan Bardella, líder do seu partido, será, se ganhar, o ‘seu’ primeiro-ministro. "Esta noite anuncio: sou candidata às presidenciais".
O coletivo de juízes considerou a líder parlamentar do Reagrupamento Nacional culpada do uso fraudulento de fundos do Parlamento Europeu e decidiu multar Marine Le Pen em 100 mil euros e condenou-a a três anos de prisão, dois dos quais com pena suspensa - o restante ano será cumprido em regime de prisão domiciliária com pulseira eletrónica. Assim, o tribunal reduziu o período de inelegibilidade para pouco menos de quatro anos – o que lhe permite ser candidata.
Ao sair do tribunal, Rodolphe Bosselut, advogado de Marine Le Pen, disse estar "parcialmente satisfeito" com a decisão do recurso. "É um bom começo", afirmou. E, observou, "uma mudança considerável, particularmente em relação à inelegibilidade". "Agora, estamos a analisar esta decisão como um todo", acrescentou.
Em visita à Síria, o presidente Emmanuel Macron recusou-se a comentar a redução da pena de inelegibilidade de Marine Le Pen. "O que é saudável para a democracia é que o Presidente da República não comente decisões judiciais, e eu vou manter esse princípio, especialmente no exterior", disse, ao ser questionado sobre o junto do presidente sírio, Ahmed Al-Sharaa.
Antes da condenação, Le Pen surgia com 31% a 36% das intenções de voto na primeira volta e algumas sondagens apontavam para a sua vitória na segunda. Mas Jordan Bardella, que seria o substituto de Le Pen se o tribunal tivesse mantido a ilegibilidade, chegou a apresentar melhores resultados: entre os 35% e os 37%.
O centrista Édouard Philippe (entre 19% e 21% das intenções de voto) e o radical Jean-Luc Mélenchon (13% e 15%) – que a quatro anos perdeu por muito pouco (para Le Pen) a possibilidade de avançar para a segunda volta, são, para já, os candidatos mais prováveis na corrida – mas os analistas dizem que é ainda cedo para se conhecer o quatro completo.