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Maria João Pires entre a viagem humana e a poesia

O Festival Internacional de Piano de Oeiras celebra a pianista portuguesa e apresenta grandes intérpretes como Anna Fedorova e Alexei Volodin.

Não existem registos em cartas, cadernos ou documentos da época que confirmem a autoria desta frase. “Tocar uma nota errada é insignificante. Tocar sem paixão é imperdoável.” O comum mortal atribuiu a dita frase a Beethoven. Historiadores e especialistas em música clássica consideram-na apócrifa.
Na 9ª edição do Festival Internacional de Piano de Oeiras (FIPO) não se espera menos do que paixão nas interpretações previstas no programa, que, este ano, cresce para seis concertos e traz grandes nomes internacionais. De Anna Fedorova a Alexei Volodin, passando por Alim Beisembayev e Paul Lewis.
O concerto de abertura será de Teresa da Palma Pereira, a 5 de julho. Apianista portuguesa irá percorrer peças de Mozart, Mendelssohn, Chopin, Liszt e Rachmaninov, assim como obras de Falla, Albéniz e Debussy. O título deste recital, “Poema”, é inspirado na peça homónima do compositor arménio Arno Babajanian, que também consta do novo álbum de Teresa da Palma Pereira e que será lançado na ocasião.
Entre repertórios associados à constante viagem humana e à poesia, esta edição do FIPO apresenta Anna Fedorova – pianista ucraniana que, desde muito cedo, demonstrou grande maturidade musical e apuro técnico, qualidades rapidamente reconhecidas pela crítica e pelo público a nível internacional. Fedorova também organiza cursos para jovens exilados e lecionará nas masterclasses do Festival. O recital, a 12 de julho, centra-se em três intermezzos de Brahms, na sonata “Appassionata” de Beethoven e na obra “Carnaval op.9”, de Schumann, que ocupará todo o concerto após o intervalo.
Uma semana depois, a 19 de julho, atua Alexei Volodin, um dos mais reconhecidos pianistas da atualidade, aclamado tanto pela sua sensibilidade como pela técnica irrepreensível. O pianista russo possui um repertório extenso e diversificado que vai de Beethoven e Brahms a Gershwin, Schedrin e Medtner, passando por Tchaikovsky, Rachmaninov, Prokofiev e Scriabin. Para o FIPO 2026 escolheu interpretar Beethoven, Tchaikovsky e Liszt. Já o pianista cazaque Alim Beisembayev, de 28 anos – que venceu o Concurso Internacional de Piano de Leeds em 2021 –, começará pelo “Momento Musical” e pela Fantasia “Wanderer” de Schubert, peça que remete para a viagem interior e a deambulação poética, a que se seguirá Sonata em Si menor de Liszt. O recital terá lugar a 26 de julho.
Sempre às 18h00, mas excecionalmente a um sábado, 1 de agosto, Yoav Levanon regressa ao FIPO para homenagear o espírito de Horowitz e tocar Scarlatti, Beethoven, Scriabin, Liszt e Rachmaninov. O Festival encerra a 2 de agosto, com um concerto do pianista inglês Paul Lewis, um dos mais reputados intérpretes de repertório de piano da Europa Central. No programa estão Mozart (Sonatas nº. 17 e 13), Schubert (3 Klavierstücke) e Chopin (Polonaise e Noturnos).
A 9ª edição do FIPO será ainda palco de uma homenagem à pianista portuguesa Maria João Pires, eleita pela Direção da Academia de Música Flor da Murta como personalidade musical do ano de 2026. Tal como dará continuidade às masterclasses internacionais, orientadas por Anna Fedorova e por Teresa da Palma Pereira, também diretora artística do Festival. No final das mesmas, e tal como tem acontecido nas edições anteriores, serão revelados jovens pianistas de várias nacionalidades.
“As plateias vão voltar a juntar uma mistura de melómanos de todas as idades, jovens profissionais em início de carreira e músicos amadores”, realça Teresa da Palma Pereira, antes de recordar que o Festival Internacional de Piano de Oeiras nasceu em 2017 “da ânsia, da necessidade espiritual de reduzir o excesso de som da vida quotidiana e ouvir, em todas as nuances, o instrumento que condensa em si a diversidade humana de forma mais sincera e despojada.”

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