Várias associações empresariais bem queriam que o Governo fosse mais longe, apostando no investimento para mitigar o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) ficou-se por pequenos ajustes nas diferentes rubricas, com o saldo orçamental a melhorar em uma décima do PIB face ao saldo nulo estimado para este ano.
Entre o dinheiro que chegou de Bruxelas e o que foi gasto no terreno, o fim da “bazuca” significa uma margem de cerca de 2 mil milhões de euros para o Estado em 2027 (0,6% do PIB). Só que a esmagadora maioria desse valor não serviu para substituir investimento público, que cai 31%, nem para reduzir a carga fiscal, mas para pagar mais 1,5 mil milhões em juros do que o estimado para 2026 (acréscimo equivalente a 0,4% do PIB).
Margem da “bazuca” consumida pelos juros
/
O fim do PRR gerou uma margem de 0,6% do PIB no Orçamento, mas boa parte é absorvida pelo aumento dos juros. Os patrões queriam mais ambição, mas a busca pelo equilíbrio continua a ser a grande prioridade.