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Luís Miguel Ribeiro: paz é “condição indispensável para a recuperação da economia”

O presidente do Conselho de Administração da AEP admite que o impacto da guerra no setor energético e por osmose na indústria transformadora é grave. O acordo Irão-EUA e a abertura do Estreito de Ormuz é essencial – resta saber se é suficiente.

O anúncio de um acordo de paz entre o Irão e os Estados Unidos “representa um desenvolvimento positivo para a economia internacional, na medida em que contribui para reduzir os níveis de incerteza e reforçar a previsibilidade, dois fatores fundamentais para a recuperação da confiança dos agentes económicos e para a normalização da atividade empresarial”, referiu ao JE o presidente do Conselho de Administração da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro.

Neste contexto, “o restabelecimento de um quadro de maior estabilidade constitui, por isso, uma condição indispensável para sustentar uma recuperação económica mais consistente”. Mas não se pode esquecer que “a economia europeia esteve entre as mais expostas aos efeitos do conflito, sobretudo devido à sua dependência energética”. Ou seja, “embora o acordo constitua um passo importante para a estabilização dos mercados, os impactos acumulados nas cadeias de abastecimento, no comércio de energia e nas condições de financiamento não desaparecem de forma imediata. A absorção desses efeitos exigirá tempo”.

Sendo “expectável que os mercados energéticos sejam dos primeiros a refletir esta evolução, com uma tendência de descida dos preços do petróleo e de outros combustíveis”, Luís Miguel Ribeiro chama a atenção para que “a reposição dos níveis anteriores ao conflito poderá ser gradual, uma vez que os danos provocados em infraestruturas energéticas e os constrangimentos na oferta, em particular no setor do gás, continuarão a influenciar o equilíbrio dos mercados”.

Durante o período de maior tensão geopolítica, “as empresas enfrentaram uma dupla pressão: por um lado, o aumento dos custos operacionais, especialmente nos domínios da energia e da logística; por outro, o agravamento das condições de financiamento, traduzido em custos financeiros mais elevados”. Um ambiente de maior estabilidade e previsibilidade é, por isso, “essencial para restaurar a confiança e criar condições para a retoma do investimento e dos projetos de expansão empresarial”.

Os setores mais intensivos em energia, como a indústria transformadora e os transportes, estiveram naturalmente entre os mais penalizados. “No entanto, os efeitos do conflito estenderam-se ao conjunto da economia, através do aumento dos custos de produção e do reforço da incerteza, condicionando tanto a atividade das empresas como as decisões de consumo das famílias”.

O empresário e dirigente associativo espera que Portugal tenha aprendido algumas lições com estes tempos difíceis, nomeadamente a necessidade de apostar na reindustrialização e em cadeias de abastecimento mais curtas, numa lógica de diminuição da dependência dos combustíveis fósseis.