A presidente do Banco Central Europeu (BCE) considera que a resposta monetária moderada na zona euro tem sido adequada, algo evidenciado pela ausência de efeitos de segunda ordem na inflação e umas expectativas bem ancoradas.
Christine Lagarde argumentou aos eurodeputados numa audição desta segunda-feira no Parlamento Europeu que a questão energética continuava a ser o principal motor dos preços, reconhecendo que a pressão inflacionária continua forte. Ainda assim, “não vemos sinais de que a inflação se tenha tornado mais entrincheirada”, ressalva.
“Ou seja, apesar de vermos o choque como demasiado grande para se ignorar, consideramos a resposta ponderada como apropriada para manter a inflação sob controlo”, afirmou.
Lagarde não especificou o que considera como uma “resposta medida”, mas os analistas ouvidos pela Reuters argumentam que as duas subidas mais recentes de juros, de 25 pontos base (pb) e com três meses de intervalo, configuram um bom exemplo do que entendem por tal conceito.
Recorde-se que a inflação na zona euro voltou a acelerar em agosto para 3,2%, igualando o valor de maio. Desde março que o indicador de preços está acima do objetivo de longo prazo do BCE, ou seja, 2%, e a inflação subjacente, que descarta as categorias alimentar e energética, ficou em 2,4%, abrandando marginalmente em relação a julho.
Do lado da economia real, apesar de pintar um cenário robusto, com os sectores industriais a crescerem e o mercado laboral forte, a presidente do BCE reforçou os alertas quanto ao impacto da inteligência artificial (IA) nos mercados de capitais. O aviso fica em linha com relatórios recentes da autoridade monetária quanto ao risco de contágio no caso da tecnologia não se traduzir em ganhos monetários, sobretudo dada a montanha de dívida que tem emitido.