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Knight Frank conta 89 novos super-ricos por dia nos últimos cinco anos ascendendo a 714 mil

The Wealth Report 2026 assinala a 20.ª edição com dados sobre criação de riqueza, mobilidade de capital e mercados imobiliários de luxo. A edição deste ano do The Wealth Report revela como o capital privado está a adaptar-se a um panorama geopolítico fragmentado, procurando agilidade, visando oportunidades de valorização acrescentada (value-add) e respondendo a mudanças significativas nos mercados imobiliários. Portugal tem mais 725 multimilionários face a 2021.

A edição deste ano do The Wealth Report revela como o capital privado está a adaptar-se a um panorama geopolítico fragmentado, procurando agilidade, visando oportunidades de valorização acrescentada (value-add) e respondendo a mudanças significativas nos mercados imobiliários.

O número de pessoas com patrimónios acima dos 30 milhões de dólares (UHNWI) atingiu 713.626 em 2026, após cinco anos em que, em média, 89 pessoas cruzaram diariamente esse limiar, segundo o Wealth Sizing Model da consultora imobiliária Knight Frank. Os dados constam da 20.ª edição do The Wealth Report, divulgada este ano.

Os Estados Unidos dominam de forma esmagadora a criação de riqueza, concentrando 41% dos novos UHNWI do período 2021-2026 e detendo atualmente 35% do total global — quota que as projeções apontam para 41% até 2031.

A China mantém o segundo lugar, embora com quota a recuar de 18% para um estimado 15% na mesma janela temporal. A Índia surge como contraponto dinâmico, com a população UHNWI a crescer 63% entre 2021 e 2026, para quase 20.000 indivíduos.

Portugal viu também crescer significativamente a sua população de super-ricos: os multimilionários com patrimónios acima dos 30 milhões de dólares passaram de 1.462 em 2021 para 2.187 em 2026, um aumento de quase 50% (mais 725), com projecção de 2.452 em 2031.

Portugal figura ainda entre os destinos que têm captado capital proveniente do Reino Unido na sequência das alterações ao regime fiscal dos non-domiciled.

O relatório assinala que o encerramento da via imobiliária no programa Golden Visa e a reformulação do NHR — agora dirigido a profissões científicas específicas — poderá moderar, mas dificilmente inverter, a procura internacional pelo país.

O estudo revela ainda que as vendas de superyates (embarcações acima de 24 metros) dispararam 70% em 2025 para 8,5 mil milhões de dólares, impulsionadas pelo mercado norte-americano e por incentivos fiscais da administração Trump.

No segmento da aviação privada, os voos entre Abu Dhabi e Londres cresceram 238%, enquanto a rota Nantucket–Nova Iorque subiu 192%, ilustrando a proliferação de estilos de vida com múltiplas residências.

Imobiliário de luxo sobe 3,2%, mas Londres recua

O Índice Internacional de Residências Prime (PIRI 100) da Knight Frank registou uma valorização média de 3,2% nos preços do imobiliário de luxo em 2025. O Médio Oriente liderou com +9,4%, puxado pelos 25,1% de subida em Dubai.

Tóquio foi o mercado de maior destaque global, com uma valorização de 58,5% nos novos apartamentos de gama alta. Porto ficou em 11.º lugar mundial, com +8,5%.

Do lado negativo, Londres cedeu 4,7%, refletindo os efeitos das alterações ao regime fiscal dos non-domiciled introduzidas em 2024, que levaram parte dos residentes endinheirados a optar por bases em Milão, Madrid, Mónaco ou Dubai.

O relatório descreve um modelo de "presença sem residência" nas principais capitais financeiras, com compradores a reduzirem os seus orçamentos imobiliários nestas cidades e a privilegiarem apartamentos prontos a habitar em detrimento de grandes moradias.

Portugal mantém-se como um dos mercados imobiliários de luxo com melhor desempenho na Europa. Porto ficou em 11.º lugar no ranking global do PIRI 100, com uma valorização de 8,5% em 2025, e Lisboa registou uma subida de 2,7%, ocupando a 49.ª posição. A Quinta do Lago destaca-se com uma das maiores valorizações acumuladas da última década a nível mundial: +61,2% nos últimos cinco anos, sustentada pela escassez de oferta, pelo enquadramento fiscal e por novas ligações aéreas directas aos Estados Unidos.

Family offices profissionalizam-se

Com base em entrevistas a mais de 40 family offices em Lisboa, Nova Iorque, Dubai, Singapura e Hong Kong, o inquérito anual da Knight Frank constata que estas estruturas evoluem de meros veículos de preservação de capital para plataformas de investimento sofisticadas. Esta é outra das conclusões do The Wealth Report 2026, da Knight Frank.

Por outro lado, os centros de dados emergem como o ativo mais citado, beneficiando do boom da inteligência artificial.

Já a habitação para estudantes, logística e imobiliário de saúde surgem como sectores complementares de destaque.

Ativos de luxo estabilizam e arte impressionista lidera recuperação

Destaque ainda para o índice de Investimento de Luxo da Knight Frank (KFLII) que fechou 2025 com uma variação de -0,4%, após dois anos de perdas mais acentuadas.

A arte impressionista foi a classe de ativos com melhor desempenho (+13,6%), impulsionada pela venda do retrato de Klimt Bildnis Elisabeth Lederer por 236,4 milhões de dólares.

Os relógios subiram 5,1%, liderados pelo Patek Philippe Nautilus.

O mercado de vinho fino continuou a enfraquecer (-2,5%), penalizado pela introdução de tarifas aduaneiras norte-americanas em Abril de 2025. As garrafas de whisky registaram as maiores perdas (-10,9%).

Diretor Global de Research da Knight Frank no 20.ª edição do The Wealth Report: "Os choques estão a tornar-se mais frequentes, mais imprevisíveis e mais profundamente enraizados no sistema económico global"

Liam Bailey, Diretor Global de Research da Knight Frank, partilha as principais conclusões da 20.ª edição do The Wealth Report, dizendo que "os investidores privados enfrentam hoje um mundo mais fragmentado e complexo do que em qualquer momento desde a publicação da primeira edição do The Wealth Report, em 2007".

Bailey lembra que as últimas duas décadas foram caracterizadas pela queda da inflação, abundância de liquidez e um sistema económico cada vez mais globalizado. Agora, esse cenário mudou de forma decisiva.

Mas os acontecimentos recentes, tornados ainda mais evidentes pelo conflito no Irão, "reforçaram um padrão já observado durante a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia: os choques estão a tornar-se mais frequentes, mais imprevisíveis e mais profundamente enraizados no sistema económico global".

"Nesta 20.ª edição do The Wealth Report, reunimos o conjunto mais abrangente de análises até hoje. Desde a atualização do nosso Modelo Global de Dimensionamento da Riqueza (Global Wealth Sizing Model) até à avaliação das perspetivas para os mercados imobiliários prime; desde uma análise aprofundada das estratégias dos family offices até temas especializados como o investimento em vinhas, a evolução do consumidor de luxo e a futura direção dos preços dos ativos de luxo — o objetivo é ajudá-lo a navegar entre risco e oportunidade num contexto de volatilidade elevada", explica.

Assim, refere, no centro desta edição está uma reavaliação das forças que moldam a economia global. "As crises sucessivas estão a revelar vulnerabilidades estruturais. A inflação tem-se mostrado persistente e sujeita a novas pressões, particularmente devido aos mercados energéticos e às cadeias de abastecimento fragmentadas. Ao mesmo tempo, os bancos centrais enfrentam uma tarefa cada vez mais delicada. A era da simples definição de taxas de juro deu lugar a um equilíbrio muito mais frágil entre o controlo da inflação, a sustentação do crescimento económico e a gestão de níveis sem precedentes de dívida pública", refre Bailey.

A aumentar esta incerteza, diz, "está a interação entre forças poderosas e, por vezes, contraditórias. A inteligência artificial e a tecnologia em geral oferecem um potencial efeito deflacionista. No entanto, esse efeito é compensado pelas tensões geopolíticas e pelas pressões fiscais, apontando para um ambiente mais inflacionista e volátil".

Para os investidores, o cenário é desafiante. "Como demonstraram as últimas semanas, as transações podem estagnar, o apetite pelo risco pode desaparecer e os preços podem ajustar-se rapidamente. Ainda assim, dentro desta complexidade existem oportunidades", alerta.

"Ao longo desta edição, destacamos áreas de resiliência: mercados, setores e estratégias que continuam a apresentar desempenho positivo apesar da crescente incerteza. Identificamos também oportunidades emergentes, desde ativos imobiliários de nicho até à evolução da procura por luxo e à crescente sofisticação do capital dos family offices", sublinha o responsável.

"Num mundo mais incerto, o desafio dos investidores privados já não passa apenas por aumentar riqueza, mas também por preservá-la, posicioná-la e aplicá-la de forma inteligente. O The Wealth Report 2026 foi concebido precisamente para oferecer uma estrutura que permita alcançar esse objetivo", conclui.