O exército de Israel, que já entrou no terreno do Líbano, está a fazer tudo para isolar a região com mais ataques a pontes sobre o rio Litani. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as forças armadas israelitas atacaram e destruíram mais duas pontes sobre o rio (não especificando quais foram), o que aumenta ainda mais a convicção de vários analistas, segundo a qual Israel se prepara para tomar posse de uma área do Estado libanês. A intenção é a de criar uma zona-tampão que impeça o acesso direto do Hezbollah ao território israelita e, por essa via, diminua os ataques da força xiita ao território do Estado hebraico.
"Esta é uma mensagem clara para o Governo libanês: Israel não permitirá que o Hezbollah utilize as infraestruturas estatais libanesas", declarou o ministro. Israel destruiu uma ponte no sul do Líbano na passada sexta-feira e lançou panfletos em Beirute, ameaçando provocar uma devastação à escala de Gaza. O governo já ordenou por diversas vezes a todos os residentes do sul do Líbano, até ao rio Zahrani, que abandonem as suas residências.
Opção nuclear é para manter
Entretanto, a oposição do Irão ao desenvolvimento de armas nucleares não mudará significativamente, disse o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, à Al Jazeera, alertando que o novo líder supremo ainda não expressou publicamente a sua opinião sobre o assunto. O seu antecessor (e pai), o Aiatola Ali Khamenei, opôs-se – ou dizia opor-se - ao desenvolvimento de armas de destruição em massa. E, para o ministro, não nenhuma indicação de que esta posição venha a ser alterada.
Os países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e Israel, acusam há anos Teerão de procurar formas de construir armas nucleares, enquanto as autoridades iranianas afirmam que o seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis.
Por outro lado, o ministro afirmou acreditar que, após o fim da guerra, os países que fazem fronteira com o Golfo deveriam elaborar um novo protocolo para o Estreito de Ormuz, a fim de garantir a passagem segura por essa estreita via navegável sob certas condições alinhadas aos interesses iranianos e regionais.
O Irã fechou a rota, por onde passa um quinto do petróleo e do gás liquefeito do mundo, afirmando que "não permitirá que nem um litro de petróleo " chegue aos Estados Unidos, a Israel ou aos seus parceiros. Na terça-feira, o presidente do parlamento iraniano escreveu nas redes sociais que a situação no Estreito de Ormuz não vai regressar às condições anteriores à guerra. Mas não especificou que alterações podem ser propostas por Teerão.
Recorde-se que os Estados Unidos têm procurado formar uma coligação naval para escoltar navios que navegam pelo estreito, embora a maioria dos aliados da NATO afirme não querer envolver-se em operações militares contra o Irão. A França, membro da NATO, afirmou que só consideraria uma coligação internacional conjunta para garantir a passagem pelo estreito após um cessar-fogo e negociações prévias com Teerão.
Alguns petroleiros ainda estão a conseguir passar com seus transponders de rastreamento desligados, navegando no escuro, segundo os peritos. Mas a maioria dos capitães – e das empresas – não está disposta a arriscar, já que o Irão atacou pelo menos 17 navios em Ormuz desde o início da guerra, a 28 de fevereiro, mas podem ter sido 21. Esta quarta-feira, a empresa de dados marítimos Lloyd's List Intelligence afirmou que apenas 89 navios cruzaram o Estreito de Ormuz entre 1 e 15 de março – incluindo 16 petroleiros – uma queda em relação às aproximadamente 100 a 135 passagens de embarcações por dia antes da guerra. Teerão permitiu a passagem de alguns, incluindo embarcações com bandeiras chinesas, turcas, indianas e paquistanesas.
Araqchi reafirmou que o fim da guerra só é concebível se o conflito terminar permanentemente em toda a região e o Irão receber indenização pelos danos sofridos. Questionado sobre os ataques iranianos no Golfo, que não visavam apenas bases militares norte-americanas, mas também afetavam áreas residenciais ou comerciais, o ministro das Relações Exteriores do Irão disse que isso ocorreu porque as forças norte-americanas foram realocadas para áreas urbanas. "Onde quer que houvesse forças americanas reunidas, onde quer que houvesse instalações que lhes pertencem, eram alvejadas. É possível que alguns desses locais estivessem perto de áreas urbanas", disse.
Araqchi reconheceu que os países da região estão "aborrecidos e que os seus povos foram prejudicados ou incomodados" pelos ataques iranianos, mas acrescentou que a culpa recai inteiramente sobre os Estados Unidos por terem iniciado a guerra em 28 de fevereiro.