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Irão: Donald Trump lança dúvidas na guerra e entre as petrolíferas ocidentais

Presidente dos Estados Unidos conseguiu apenas em um dia ser desmentido pelo Irão e censurado por algumas das principais empresas da indústria petrolífera.

A notícia um pouco surpreendente de que o presidente dos Estados Unidos decretou um adiamento dos ataques que prometera às infraestruturas energéticas do Irão – a que se juntou a notícia muito surpreendente de que haveria negociações com o regime de Teerão – levaram a um desmentido e ao aumento das dúvidas da indústria petrolífera norte-americana sobre o sentido da condução da guerra.

O Irão apressou-se a negar ter-se envolvido em negociações com os Estados Unidos, depois de Donald Trump ter dito que adiou a ameaça de bombardear a rede elétrica iraniana devido ao que descreveu como conversas produtivas com autoridades iranianas não identificadas. Trump escreveu nas redes sociais que os Estados Unidos e o Irão tiveram conversas "muito boas e produtivas" sobre uma "resolução completa e total das hostilidades no Médio Oriente ". Como resultado, disse, adiava por cinco dias o plano de ataque à rede elétrica do Irão. O unúncio fez com que de imediato as ações subissem acentuadamente e os preços do petróleo caíssem, numa reversão repentina da queda do mercado causada pelas ameaças do fim-de-semana. Os incontornáveis Steve Witkoff e Jared Kushner - aparentemente especialista em questões iranianas, como o são em questões russas, israelitas e ucranianas – estariam a negociar com um alto funcionário iraniano. "Tivemos conversas muito, muito produtivas. Vamos ver aonde elas nos levam. Temos pontos de concordância importantes, eu diria, quase todos os pontos de concordância", disse Trump.

O influente presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nas redes sociais que não houve conversas nenhumas com os Estados Unidos e ridicularizou a sugestão, classificando-a como uma tentativa de manipular os mercados financeiros. "Não houve negociações com os EUA, e notícias falsas estão a ser usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos", escreveu. "O povo iraniano exige punição completa dos agressores. Todas as autoridades iranianas apoiam firmemente o seu líder supremo e seu povo até que esse objetivo seja alcançado."

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou que continuava a lançar ataques contra alvos dos Estados Unidos e descreveu as palavras de Trump como "operações psicológicas" "desgastadas". "O comportamento contraditório do presidente dos EUA não nos causa qualquer negligência na frente de batalha ou na continuação do combate com o inimigo hostil", disseram em comunicado. Mas o Ministério das Relações Exteriores do Irão referiu iniciativas para reduzir as tensões, sem fornecer mais detalhes.

 

Indústria em sobressalto

Executivos do setor petrolífero e o governo Trump apresentaram perspetivas divergentes para o mercado global de energia, num quadro em que os preços do petróle viltaram a aumentar esta segunda-feira. Em discurso na conferência CERAWeek — o principal evento anual do setor de energia — na manhã de segunda-feira, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, descreveu a recente volatilidade dos preços como “uma perturbação de curto prazo que trará benefícios de várias décadas para a segurança global”, acrescentando que “os mercados farão o que os mercados fazem” e impulsionarão a entrada em operação de mais perfurações.

Citado pelo jornal ‘Ssemafore’, o CEO da Chevron, Mike Wirth, mostrou-se mais cético: alertou que os preços provavelmente subirão mesmo que o Estreito seja reaberto em breve, enquanto os países do Golfo trabalham para reativar equipamentos de produção danificados e paralisados ​​e competem para reabastecer as suas reservas estratégicas. “Os mercados estão a operar com base em informações escassas e perceções”, disse. “Há manifestações físicas reais do estrangulamento que não estão totalmente precificadas.”

O líder da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, foi da mesma opinião, alertando que problemas com o fornecimento global de energia que durem mais de três ou quatro meses representarão um enorme risco para a economia global.

Os líderes da indústria petrolífera juntam-se assim à indústria da aviação – que já alertou para o cada vez mais claro desastre que as espera. Recorde-se que o CEO da United Airlines disse num memorando interno divulgado na semana passada que os preços do petróleo poderiam subir até 175 dólares o barril.