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Guerra corta crescimento das economias do Golfo

A perda de riqueza será mais acentuada no Bahrein, Irão, Iraque, Kuwait e Catar, e menos significativa em Omã, Arábia Saudita e Emirados

Eventos de grande destaque foram interrompidos, os hotéis de luxo estão meio vazios e os riscos associados à guerra afastam os passageiros dos voos. A Arábia Saudita, que fez uma aposta de vários milhões de dólares no setor dos videojogos, transferiu o Mundial de e-sports de Riade para Paris, e a Fórmula 1 cancelou a corrida de abril no reino. O Grande Prémio de Abu Dhabi continua previsto para dezembro, embora possa mudar dependendo dos acontecimentos. Um festival de música nos Emirados Árabes Unidos, que teria Shakira como atração principal neste ano, foi cancelado.
Os setores da aviação, mercado imobiliário, turismo, transporte marítimo e hotéis continuam a ser duramente atingidos em toda a região do Golfo. As empresas enfrentam não apenas a falta de procura, mas também constrangimentos no transporte marítimo que atrasaram a entrega de tudo, desde máquinas pesadas até barris de cerveja importada. “Ainda serão necessários seis meses para que as coisas comecem a parecer normais novamente”, disse Rafael Khanoyan, diretor-executivo da construtora dos Emirados Árabes Unidos Al Ryum Group.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as previsões de crescimento para a região do Médio Oriente devido à guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, que se estendeu ao Golfo Pérsico. A instituição prevê um crescimento de 1,1% em 2026, abaixo dos 3,2% projetados para 2025.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para a exportação de hidrocarbonetos, também está a privar as monarquias da região de receitas vitais. A desaceleração esperada nesses países varia “dependendo da extensão dos danos à infraestrutura de energia e transporte, bem como do grau de dependência do Estreito de Ormuz e da disponibilidade de rotas de exportação alternativas”, destaca o FMI.
A queda deverá, portanto, ser “mais acentuada no Bahrein, Irão, Iraque, Kuwait e Catar, e menos significativa em Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos”, acrescenta o relatório. O Irão, que sofreu semanas de intensos bombardeamentos, deverá ver o Produto Interno Bruto (PIB) contrair 6,1% este ano, enquanto no Catar, cujo primeiro local de produção de gás natural liquefeito foi gravemente danificado, a atividade económica deverá cair 8,6% em 2026.
A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, está em melhor situação graças ao seu acesso ao Mar Vermelho, o que lhe permite contornar o Estreito de Ormuz. O crescimento da maior economia da região deverá atingir 3,1% em 2026, em comparação com os 4,5% previstos anteriormente. Já os Emirados Árabes Unidos deverão crescer 3%, impulsionados pelo setor não petrolífero.
No entanto, os empresários dos setores mais atingidos no Dubai indicam que uma recuperação pode estar muito distante. A Wynn Resorts, que está a construir o primeiro resort-casino nos Emirados Árabes Unidos, com um custo superior a quatro mil milhões de dólares, afirmou que a guerra provocou um atraso de vários meses na inauguração e elevou os custos. Muitas companhias aéreas europeias e norte-americanas — incluindo Air Canada, KLM e Lufthansa — prolongaram a suspensão de voos para Dubai, em alguns casos até o próximo ano.
O Aeroporto Internacional do Dubai, normalmente um dos mais movimentados do mundo, informou que o tráfego de passageiros caiu 31% em comparação anual no primeiro semestre de 2026. O volume de cargas transportadas caiu 29% no mesmo período. As taxas de ocupação dos hotéis caíram para 56% no primeiro semestre do ano, face aos 80% em 2025, segundo um relatório da Cavendish Maxwell, uma empresa de consultoria imobiliária sediada no Golfo Pérsico. Um torneio internacional de golfe organizado pelos Emirados está programado para novembro.
Apesar desse cenário, os Emirados Árabes Unidos continuam a apostar em eventos como forma de recuperar o número de visitantes. O músico Hans Zimmer, as bandas Imagine Dragons e The Chainsmokers, além dos comediantes Russell Peters e Trevor Noah, estão programados para se apresentar no país antes do fim do ano.

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