Skip to main content

Direita sueca recupera e pode formar governo mais extremado

Parecia garantida uma mudança no poder, mas as sondagens indicam, agora, um empate técnico. Se o atual poder se mantiver, a extrema-direita pode sentar-se no Governo.

A direita sueca chega às legislativas deste domingo com uma possibilidade de vitória que parecia muito improvável há menos de um mês. Nas sondagens, o bloco que sustenta o governo de Ulf Kristersson continua a surgir atrás da oposição de centro-esquerda, mas recuperou terreno suficiente para transformar uma eleição que parecia encaminhada para o regresso de Magdalena Andersson ao cargo de primeira-ministra numa disputa em aberto.
O último estudo divulgado, da Novus, na quarta-feira, 9 de setembro, dá 50,7% ao bloco da oposição e 48,1% aos partidos que sustentam o Governo. A diferença é de 2,6 pontos percentuais e está dentro da margem de erro. É um empate técnico. Há três semanas, uma sondagem da mesma Novus colocava a esquerda nos 52,5% e a direita nos 45,6%. E, a 18 de agosto, outro estudo, da Verian, para a televisão pública SVT, dava uma vantagem ainda maior, de 10 pontos percentuais, à oposição.
A erosão é sobretudo visível nos sociais-democratas. Na Novus, o partido de Andersson passou de 30,1%, a 19 de agosto, para 26,6% na última leitura. Ao mesmo tempo, os Liberais fizeram o caminho inverso: saltaram de 1,9% para 5,8% e ultrapassaram a barreira dos 4% necessária para entrar no Riksdag, o parlamento sueco. Foi o que devolveu a esperança ao governo de Kristersson. Mesmo que ainda persistam dúvidas, porque a Ipsos dá apenas 3,5% aos Liberais, enquanto a Sentio os coloca nos 5,1%.
A Suécia será o primeiro grande teste eleitoral nacional na União Europeia depois do terramoto político da Saxónia-Anhalt. A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu no domingo passado as eleições neste estado do leste alemão com 43,8% dos votos, contra apenas 17,2% da União Democrata-Cristã (CDU), e conquistou 39 dos 83 deputados. Ficou a três lugares da maioria absoluta. Quase uma semana depois, a questão é perceber se o movimento de deslocação à direita tem continuação no Norte da Europa.
Paulo Sande, especialista em assuntos europeus e professor da Universidade Católica, pede cautela nas comparações. “A situação na Suécia é obviamente muito diferente”, sublinha.
Desde 2022, o sistema político sueco passou a organizar-se em torno de dois blocos, um liderado pelos sociais-democratas e outro pela direita moderada. É uma diferença importante. Os Democratas Suecos, de extrema-direita, não estão a tentar romper agora o cordão sanitário, já são parte da maioria política. Em 2022, obtiveram 20,5%, tornaram-se a segunda força do país e permitiram a Kristersson formar governo através do Acordo de Tidö. Ficaram fora do Executivo, mas passaram quatro anos a condicionar a política de imigração, integração e segurança. Agora querem dar o passo seguinte e entrar formalmente no Governo. Kristersson já se comprometeu a dar-lhes lugares no Conselho de Ministros se a direita vencer.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico