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Grandes petrolíferas europeias preparam corte na remuneração dos acionistas

A desvalorização da matéria-prima está a pressionar o setor, levando a um recuo na estratégia de recompra de ações que vinha sendo comum nos últimos anos. Distribuição de dividendos pode ser cortada entre 10% e 25%.

As maiores empresas petrolíferas da Europa estão prestes a reduzir a remuneração acionista sinalizando uma viragem para a austeridade, à medida que se preparam para proteger os seus balanços e preparar a queda dos preços do petróleo. A Shell, a BP, a TotalEnergies, a Eni e a Equinor deverão, segundo os analistas, abrandar a distribuição de dividendos aos acionistas entre 10% e 25% quando divulgarem os resultados anuais completos este mês, tudo através de reduções nas recompras de ações.

Nos últimos anos, as grandes petrolíferas europeias canalizaram mais de metade do seu fluxo de caixa para a recompra de ações, reduzindo o número de ações em circulação e sustentando os seus preços. O setor reduziu o número total de ações em cerca de um quinto desde 2021, segundo a UBS.

Mas esta estratégia está a ser posta sob forte pressão. Os preços do petróleo caíram cerca de um quinto no ano passado e prevê-se que enfraqueçam ainda mais na primeira metade de 2026, à medida que o aumento da oferta de crude cria um excedente.

Os analistas afirmaram que as empresas provavelmente irão cortar as recompras em vez de as financiar através de dívida. “Estamos a prever um corte médio de 25% nas recompras”, disse Lydia Rainforth, do Barclays ao Financial Times. “No geral, isso é visto como uma opção muito melhor do que pagá-las recorrendo a dívida.”

Já Josh Stone, do UBS, sublinha que havia um "argumento muito forte" para dar prioridade a recompras quando as avaliações estavam baratas, os balanços saudáveis e a perceção de um pico do petróleo estava a aumentar. A pressão sobre as empresas europeias contrasta com a força das suas rivais norte-americanas. A ExxonMobil e a Chevron divulgaram na sexta-feira os seus lucros anuais mais baixos em quatro anos, apesar de níveis recorde de produção de petróleo e gás. Mas nenhuma das empresas sinalizou uma redução dos pagamentos aos acionistas este ano.