O preço do gasóleo para transporte pessoal deu um salto de 69,6% entre março de 2016 e março de 2026, de acordo com as contas do Jornal Económico, com base nos dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC) do Instituto Nacional de Estatística (INE). O mês passado contribuiu de forma relevante para esse acréscimo — em fevereiro, a subida a 10 anos era, apesar de tudo, de 54,8%.
No mesmo período, o preço da gasolina aumentou 36%, enquanto todo o cabaz de preços analisado pela autoridade estatística registou um acréscimo de 25,3%.
As diferenças entre gasóleo e gasolina foram mais uma vez evidenciadas no mês passado, com o primeiro a escalar 16,3% face ao mesmo mês de 2025, enquanto o segundo registou uma subida de 6,2%.
Este diferencial entre gasolina e gasóleo deve-se, em grande medida, a uma maior dependência do diesel na Europa, cujas refinarias não produzem em quantidade suficiente. Na gasolina, por outro lado, a União Europeia consegue satisfazer a procura interna.
A dependência do gasóleo, que é muito usado na indústria, no transporte rodoviário e na logística, torna Portugal e outros países europeus particularmente vulneráveis a crises no Médio Oriente. Acresce que as reservas estão por esta altura em níveis reduzidos, abaixo das de gasolina, e a China, um dos maiores exportadores mundiais de gasóleo, proibiu a exportação de combustíveis para fazer face à crise energética que o mundo vive após o encerramento do estreito de Ormuz.
Cinco produtos e serviços duplicaram preço
Entre as centenas de produtos e serviços analisados pelo INE para compor o Índice de Preços no Consumidor, o gasóleo para transportes pessoais apresentou em março a décima maior subida na última década. Mas há aumentos bem mais expressivos — e em cinco deles o preço, no mínimo, duplicou.
A liderar os aumentos estão as leguminosas, que dispararam 131,7% desde março de 2016, seguidas por ovos, que aceleraram 121,4%; serviços relacionados com a assistência a eventos desportivos (111,2%); e peixe seco, salgado, em salmoura ou fumado (107,1%) (já o peixe vivo, fresco, refrigerado ou congelado teve uma subida de 39%). A fechar a lista dos produtos que, pelo menos, duplicaram estão os combustíveis líquidos no contexto doméstico (99,95%). Já os preços dos serviços fotográficos também estão muito perto de duplicar (98,1%).
O top 10 da última década, considerando os preços de março, inclui ainda bagas frescas (82%), margarina e preparações similares (75,9%) e revistas e outras publicações periódicas (71,8%).
Por outro lado, nem todos os preços sobem. E nada ficou mais barato na última década do que os livros didáticos/manuais escolares. De março de 2016 a março de 2026, o preço destes livros junto do consumidor caiu 79% (embora tenha aumentado 7,45% desde 2022). A quebra de preços foi abrupta na passagem para o ano letivo de 2019/20, quando o Governo alargou a distribuição de manuais escolares gratuitos até ao 12º ano para alunos do ensino público, uma medida que estava até então em vigor até ao 6º ano de escolaridade.
No mesmo período, houve também descidas acentuadas nos equipamentos para desporto (-56,5%), equipamentos para receção, registo e reprodução de som e vídeo (-49,2%), calçado para bebé e criança (-39,5%), computadores, computadores portáteis e tabletes (-38,9%), calçado para homem (-34,1%), outros artigos de vestuário (-32,6%), pequenos aparelhos para cozinhar e transformar alimentos (-32,4%) e suportes de gravação não gravados (-30,1%).