A inflação nos EUA continua a acelerar e chegou em abril ao valor mais alto desde 2023, com uma leitura homóloga de 3,8%, ultrapassando as projeções de mercado de 3,7%. A energia continua a ser o principal responsável por esta evolução, registando também a subida mais pronunciada desde 2022.
É o segundo mês seguido de subidas do indicador de preços, embora o salto tenha sido bastante pronunciado: de 2,4% em fevereiro para 3,8% em abril, atingindo assim máximos de maio de 2023. Em cadeia, a leitura de abril ficou aquém dos 0,9% registados no mês anterior, com uma subida de 0,6%.
A energia registou o maior aumento homólogo desde setembro de 2022, acelerando para 17,9%, ou seja, acima dos 12,5% de março, à medida que a guerra no Irão continua a materializar-se na economia norte-americana. De destacar a gasolina, que saltou de 18,9% para 28,4%, e o óleo combustível, que subiu uns assinaláveis 54,3% em comparação com igual período do ano passado.
As restantes componentes mais relevantes do cabaz considerado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho, responsáveis pelo indicador, também aceleraram em abril: os bens alimentares subiram 2,7% depois de um aumento de 2,3% no mês anterior, enquanto o alojamento também acelerou de 3% para 3,3%.
Excluindo a energia e alimentação, as componentes tipicamente mais voláteis, a inflação subjacente também acelerou, tocando igualmente máximos de setembro com uma leitura de 2,8%. Em março, a inflação core havia ficado em 2,6%, sendo que analistas e investidores apontavam a um avanço até 2,7% na leitura agora conhecida.
Em cadeia, a inflação subjacente foi de 0,4%, ou seja, acima dos 0,2% registados em fevereiro e março e acima das projeções de 0,3%.
Em sentido inverso, o salário horário real médio caiu 0,3% em termos homólogos e 0,5% em cadeia, aprofundando a ideia de que os trabalhadores norte-americanos estão a perder poder de compra com o atual choque energético e subsequente episódio inflacionista.