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Estados Unidos e Irão avaliam extensão do cessar-fogo por duas semanas

O presidente dos Estados Unidos afirma que a guerra está perto do fim. Uma trégua de mais duas semanas iria auxiliar a esse fim. Do seu lado, o Paquistão está a preparar um novo encontro entre as duas partes. Entretanto, Israel avalia uma trégua de uma semana na guerra contra o Líbano.

Os Estados Unidos e o Irão estão a considerar o prolongamento do cessar-fogo que termina na próxima terça-feira durante mais duas semanas, de forma a que haja mais tempo para a negociação de um acordo de paz, de acordo com fontes citadas pela Bloomberg. Os mediadores de ambas as partes estão a tentar organizar negociações técnicas para resolver as questões mais problemáticas, refere a agência, incluindo a reabertura do estreito de Ormuz e o enriquecimento de urânio por parte do Irão.

Se forem bem-sucedidas, estas conversações poderão abrir caminho para a próxima ronda de negociações entre os representantes de ambos os países. Contudo, não existem garantias de que o cessar-fogo seja prolongado e os Estados Unidos ainda não disseram que concordaram com a sua extensão.

De acordo com a Sky News, a próxima ronda de negociações poderá ter lugar em novamente em Islamabad, capital do Paquistão, na próxima semana, depois de Donald Trump, ter dito na terça-feira que as conversações poderiam ter ocorrer nos “próximos dois dias”. Trump voltou a afirmar que a guerra contra o Irão está perto do fim, enquanto o chefe do exército do Paquistão, país mediador, chegou a Teerão para tentar evitar o regresso do conflito.

As Forças Armadas do Paquistão confirmaram a chegada ao Irão do Marechal de Campo Asim Munir. Uma fonte iraniana disse à Reuters que Munir, que mediou a ronda de negociações do passado fim-de-semana, está em Teerão "para reduzir as divergências" entre os dois lados. Autoridades do Paquistão, do Irão e de vários países do Golfo confirmaram que ambos os lados podem regressar a Islamabad nos próximos dias.

 

Entretanto, em Israel

Em Israel, o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reuniu para debater um cessar-fogo temporário no Líbano. “A nossa avaliação é que, dentro de alguns dias, não teremos outra escolha a não ser decretar um cessar-fogo total no Líbano”, disse uma importante fonte política israelita à rede nacional de TV. Ou seja, a pressão dos Estados Unidos sobre o seu aliado está a fazer vergar a opção belicista que Netanyahu e o seu gabinete defendem.

Segundo um relatório divulgado pela imprensa do Estado hebraico, os Estados Unidos estão a exercer forte pressão sobre Israel para que concorde com um cessar-fogo temporário, na esperança de que isso apoie tanto as negociações entre Israel e Líbano, mediadas pelos EUA, como os esforços de Washington para chegar a um acordo com o Irão.

Uma fonte da segurança israelita disse a um canal televisivo que, embora Washington tente reduzir a escalada dos combates com o Hezbollah, também se solidariza com as preocupações israelitas; nesse contexto, terá insistido num cessar-fogo temporário de uma semana, com a opção de regresso aos combates caso um acordo mais seguro não seja alcançado durante esse período. A proposta foi colocada pela primeira vez há alguns dias pelo principal enviado dos EUA Steve Witkoff, em conversas com altos funcionários israelitas, diz ainda o relatório. O documento acrescenta que, numa primeira abordagem, Netanyahu e o seu governo mostraram pouca vontade de aceitar a trégua, mas acabaram por aceitar debatê-la.

 

O inenarrável Ben Gvir

Um dos mais acérrimos defensores da continuação dos combates é o inenarrável ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. O homem enfrenta petições que pedem a sua demissão imediata do governo, tal é o foco beligerante que sustenta. As suas ações têm sido sempre extremas, tanto em Gaza como na Cisjordânia – sendo a sua postura de constante quezília com os palestinianos.

Após uma audiência de quase 10 horas sobre estas petições que pediam a demissão do homem, o Supremo Tribunal de Justiça encerrou a sessão sem emitir uma decisão sobre o assunto, segundo avança a imprensa israelita. Durante o processo, os juízes demonstraram repetidamente relutância em olhar para o pedido dos requerentes e ordenar a Netanyahu a demissão do ministro de extrema-direita.

Em vez disso, mostraram-se favoráveis a um plano para que os dois cheguem a um acordo com a Procuradora-Geral Gali Baharav-Miara, com o objetivo de limitar a influência de Ben Gvir, mas sem o remover do ministério.

Ao encerrar a audiência, o presidente do Supremo Tribunal, Isaac Amit, criticou duramente Ben Gvir, que compareceu ao tribunal seguido por uma multidão que exibia cartazes denunciando o sistema jurídico de Israel como uma “ditadura judicial”. Enquanto o ministro discursava do lado de fora do tribunal, os seus apoiantes gritavam que Amit e outros juízes eram "traidores".