A lógica da especialização funcional do MBA, tendência em ascensão em alguns mercados, não ganhou ainda grande tração em Portugal.
“O objetivo não é formar especialistas. É formar decisores completos, capazes de navegar a complexidade com impacto real no negócio”, explica Joana Santos Silva, CEO do ISEG Executive Education e diretora executiva do ISEG MBA ao Jornal Económico (JE).
O MBA do ISEG parte da base clássica da gestão — estratégia, finanças, operações — e não se limita a uma lógica de especialização funcional, esclarece.
“Privilegiamos uma visão integrada e sistémica da gestão porque é isso que o contexto atual exige. Um líder hoje não opera em silos — decide em ambientes onde tecnologia, sustentabilidade, dados e pessoas estão interligados”. O programa incorpora dimensões críticas como tecnologia, inteligência artificial, economia circular e liderança, não como especializações isoladas, mas como camadas transversais à tomada de decisão.
A UPT alinha pelo mesmo diapasão. “O MBA Executivo da Universidade Portucalense privilegia uma abordagem transversal da gestão, assente numa lógica de “gestão pura e dura”, mas alinhada com os desafios atuais das organizações”, revela Margarita Carvalho, cocoordenadora do programa da UPT.
“Mais do que especializações formais”, o MBA da UPT aposta numa “formação integrada” que combina estratégia, liderança, transformação digital e sustentabilidade, “permitindo aos participantes desenvolver uma visão holística das organizações”.
Luís Marques, diretor do MBA Executivo da Católica Porto Business School, explica ao JE que o programa não assenta numa especialização tradicional, mas sim numa “abordagem integrada da gestão”, orientada para a criação de valor nas organizações. “Trabalhamos três grandes vetores que enquadram os desafios empresariais: eficiência, gestão de risco e inovação”, adianta.
A visão da Escola traduz-se numa “forte ligação entre teoria e prática”, através de desafios empresariais reais - como o business case transversal, que permite aos participantes “aplicar diferentes perspetivas” de gestão a problemas concretos.
O Lisbon MBA Católica|Nova estrutura a sua formação em torno de três eixos, diretamente alinhados com os desafios reais que as organizações enfrentam hoje: Liderança e Gestão de Pessoas, Transformação Digital e Inovação e Sustentabilidade e Impacto. O curriculum inclui disciplinas core como Finanças, Contabilidade, Marketing, Recursos Humanos, Estratégia, Operações e Processos, Controlo de Gestão, Ética e Sustentabilidade.
AESE e Porto Business School afinam uma perspetiva metodológica que vai na direção da tendência.
Agostinho Abrunhosa esclarece que o AESE Executive MBA assenta na convicção de que “antes de especializar”, é necessário compreender a gestão “no seu todo e vista do topo”. Mas - e aqui surge um dado novo - cada carreira tem desafios próprios e para lhes dar resposta, o programa que dirige, inclui um elective track que permite personalizar parte do percurso, aprofundando temas específicos. Incluí ainda coaching pessoal e suporte de carreira.
“A base continua a ser a gestão - aquilo a que chamaria arquitetura da decisão - mas com espaço para que cada participante aprofunde as áreas mais relevantes para o seu caso”, salienta.
Os MBA da Porto Business School (PBS) assentam numa base sólida de gestão generalista, que, segundo Ana Côrte-Real, “continua a ser essencial para formar líderes capazes de tomar decisões integradas e com impacto”, mas...
Num contexto de “carreira cada vez mais personalizado”, é fundamental permitir aos alunos “adaptar o seu percurso”, explica a Faculty & Corporate Relations Director e MBA Director da Porto Business School. Ora , aqui, isso já é possível. Os participantes podem customizar “a sua jornada”. Como? Escolhendo áreas que refletem tendências críticas do mercado e lhes permitem aprofundar competências específicas sem perder a base generalista.
Ou seja, mais do que escolher entre “gestão pura” ou especialização, o modelo combina ambos. “Primeiro, constrói-se a base; depois, diferencia-se o
Especialização funcional com pouca tração
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As novas temáticas societais estão a impulsionar a especialização funcional nos MBA. É uma tendência em ascensão. Em Portugal, a maior parte dos programas valoriza a abordagem integrada da gestão.