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Eleições. Um em cada quatro concelhos deu mais de 40% a Ventura. Três distritos resistem

A vitória de António José Seguro foi a mais folgada de sempre, com 66,83% dos votos (quando ainda falta contar as 20 freguesias que adiaram o escrutínio devido à tempestade).

Mas há vários pontos do país onde houve ainda mais certezas. A nível distrital, Coimbra, Lisboa e Porto (por esta ordem) deram mais de 70% dos votos ao Presidente da República eleito, a que se juntam outros três acima do valor nacional. Ao nível dos concelhos, Penamacor não defraudou as expectativas do político da terra, entregando-lhe 81,82% dos votos, tal como Coimbra (79,21%) ou Oeiras (78,2%). Seguro obteve mais de 70% em 53 concelhos.
Já André Ventura, como esperado, conseguiu a maior mobilização dos eleitores na Madeira e nos distritos de Faro e Portalegre, onde alcançou mais de 40% dos votos — e onde já tinha obtido os seus melhores resultados na primeira volta (entre 31 e 33%). No entanto, ao contrário de 18 de janeiro, não venceu na capital de distrito algarvia nem na região autónoma.
Em todo o caso, não deixa de ser relevante que Ventura tenha conseguido convencer pelo menos 30% do eleitorado em 15 dos 18 distritos e em 252 municípios — apesar de ter obtido apenas duas vitórias nesta segunda volta (São Vicente, na Madeira (53,92%), e Elvas (50,85%), no Alentejo). E em 72 desses concelhos — cerca de um em cada quatro no país — conseguiu mais de 40%. Onde estão?
— 24 no Algarve ou no Alentejo, com destaque para os 9 concelhos do distrito de Faro e 8 de Portalegre. Há ainda 3 em Beja e 3 em Évora.
— 15 concelhos das ilhas, dos quais 11 (todos) na Madeira e 4 nos Açores.
— 10 no Norte, nos distritos de Bragança (5), Braga (2), Vila Real (2) e Viana do Castelo (1);
— 13 no Centro-Norte, sobretudo no distrito de Viseu (9), a que se juntam 3 em Aveiro e 1 na Guarda.
— 10 no Centro e na área de influência da capital: a maioria em Santarém (7), mas também em Setúbal (1), Lisboa (1) e Leiria (1).
Os únicos distritos em que Ventura não conseguiu mais do que 40% em qualquer concelho foram Porto, Coimbra e Castelo Branco.
Esta segunda volta é uma eleição sui generis, que não permite extrapolações diretas para futuras legislativas. Não só é uma eleição presidencial, mas também obrigou uma parte importante do eleitorado a escolher entre dois candidatos com visões absolutamente distintas. Mas não deixa de dar mais uma prova de que a implantação de André Ventura no território português está longe de se circunscrever às ilhas e ao sul do país.
Algumas curiosidades locais
António José Seguro venceu em 95,9% das freguesias. O maior triunfo (em percentagem) aconteceu numa pequena localidade dos Açores: 32 eleitores de Caveira votaram em Seguro e apenas um em Ventura, ou seja, uma vitória por 96,97%. Em freguesias com pelo menos mil eleitores, o destaque vai para os 85,79% que Seguro alcançou em Santo António dos Olivais (Coimbra). Já o máximo que Ventura conseguiu foi 67% na pequena freguesia de Paçó (Vinhais, distrito de Bragança). Em freguesias com mais de mil eleitores, a maior vitória foi no Caniçal (no concelho madeirense de Machico), com 56,9%. Nota ainda para a freguesia que não conseguiu resistir ao apelo do próprio nome: em Boa Ventura, também na Madeira, 327 eleitores (57,2%) puseram a cruz no presidente do Chega.
Houve ainda pequenas freguesias em que foi taco a taco, sendo que em sete houve mesmo empate. Noutras 47 freguesias, a diferença foi inferior a 10 votos.
Quanto aos votos em branco, entre as freguesias com mais de mil votos, sublinhe-se a portuense de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, na qual 7,3% dos 16 mil votantes não usaram a caneta. Ao nível de concelhos, foi Santa Cruz da Graciosa, nos Açores, que liderou este ranking (6,32%).
Nos votos nulos, com o mesmo critério dos mil votantes, é a freguesia da Estrela, em Lisboa, que sobressai com 4,5%, bem como o município da Ribeira Brava, na Madeira (3,14%).
Por fim, a abstenção, que foi de 50,8% se incluir consulados, mas de apenas 41,24% no território nacional, Ao nível dos municípios, Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, recebe o prémio dos votantes exemplares, com apenas 29,8% a faltarem ao escrutínio, logo seguido de Sardoal (Santarém). Já Melgaço e Ribeira Grande estão no extremo oposto, ambos com mais de 64% de abstenção. A uma escala ainda mais reduzida, a Aldeia do Bispo, no concelho da Guarda, é a freguesia em que menos eleitores faltaram (23,3%). E Quirás e Pinheiro Novo, no concelho de Vinhais (distrito de Bragança) teve a maior abstenção: 76,9%.

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