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Eleições locais preparam futuro político de Keir Starmer

Esta quinta-feira, os britânicos vão votar em eleições locais. Londres, Escócia e País de Gales estão no centro das atenções das eleições locais desta quinta-feira. Todas as sondagens indicam que os trabalhistas vão sofrer pesadas derrotas em todo o lado.

As eleições locais desta quinta-feira no Reino Unido irão eleger 5.066 vereadores em 2.969 distritos, mas os analistas estão concentrados nos resultados da cidade de Londres e nos parlamentos da Escócia e do País de Gales. Três vetores fundamentais estarão em análise: a extensão do descalabro do Partido Trabalhista – que será um indicador direto sobre o que os britânicos pensam do governo liderado por Keir Starmer; a capacidade de crescimento da extrema-direita concentrada no Reform UK, de Nigel Farage; e a possibilidade de renascimento do Partido Conservador, quase desaparecido nas eleições gerais de julho de 2024.

 

Em Londres

As sondagens sugerem que os dois partidos insurgentes no Reino Unido devem destacar-se e provavelmente assumirão a liderança em várias das 32 áreas administrativas da cidade. O Partido Verde, de esquerda, deverá conquistar a maior percentagem de votos em quatro autoridades tradicionalmente controladas pelo Partido Trabalhista. Já a extrema-direita do Reform UK deverá assumir a maioria em três conselhos suburbanos.

Londres tornou-se a área de maior preocupação nestas eleições para o Partido Trabalhista de Starmer, que teme que os de eleitores de esquerda do centro da cidade e eleitores conservadores dos bairros periféricos se inclinem respetivamente para os Verdes e para o Reform UK. As sondagens indicam que os trabalhistas apenas vencerão em 15 conselhos, os conservadores em cinco e os liberais-democratas em quatro.

 

Na Escócia

Chegou a estar perto de conseguir vencer o Partido Nacional Escocês (SNP), que governa a Escócia há quase duas décadas, mas o Partido Trabalhista Escocês surge nas sondagens num distante segundo ou mesmo no terceiro lugar – o que indica uma inevitável quinta vitória consecutiva dos nacionalistas. Mas o SNP já não é o que chegou a ser e é por isso que o Reform UK tem demonstrado um afinco especial em promover um grande resultado na Escócia – que será tanto mais importante quanto for o peso das abstenções, que se prevê enorme.

Estas abstenções são a evidência do divórcio entre os escoceses e o ‘seu’ partido de sempre, e os extremistas de direita têm explorado devidamente esse distanciamento. O principal problema de Farage é que os trabalhistas ‘farejam’ o mesmo distanciamento e acreditam, segundo a imprensa britânica, que o podem virar a seu favor, nomeadamente nas importantes cidades de Glasgow e Edimburgo. O líder do Partido Trabalhista Escocês, Anas Sarwar, ainda aspira a chegar a primeiro-ministro da região.

 

No País de Gales

Será a primeira vez que os galeses vão eleger 96 deputados e não 60, como sucedia até agora. Nas eleições de 2021, o Partido Trabalhista Galês conquistou mais uma maioria (e um governo), ficando a apenas um lugar de alcançar a sua primeira maioria absoluta. Nas eleições gerais de julho de 2024, o Partido Trabalhista conquistou, em Gales, uma vitória confortável, enquanto os conservadores desapareceram.

Mas isso não indica uma nova vitória. As sondagens apontam para uma disputa renhida entre o Reform UK e o Plaid Cymru (Partido do País de Gales), nacionalista e de centro-esquerda, que apoia a independência face ao Reino Unido. O partido assegura quatro dos 32 lugares que Gales detém na Câmara dos Comuns do Reino Unido e 13 lugares (em 60) no parlamento galês.

Os trabalhistas não conseguem sequer assegurar um segundo lugar nas várias sondagens, o que determinará uma clara.

 

Sondagens para o todo nacional colocam trabalhistas em terceiro

Na mais recente sondagem sobre as intenções de voto dos britânicos para o parlamento nacional, os trabalhistas surgem em terceiro lugar, com 16%, um ponto percentual abaixo dos conservadores – que assim dão incontestável ‘prova de vida’ – e empatados com os Verdes. Lá no alto da tabela continua a estar o Reform UK, mas a distância tem diminuído flagrantemente: chegou a estar ‘cotado’ acima dos 30% de intenções de voto, mas a sondagem mais recente não que confere mais que 24%. Os liberais-democratas, tradicionalmente o terceiro partido, não vão agora além de um pouco honroso quinto lugar, quatro pontos percentuais abaixo dos trabalhistas e dos verdes.