O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, disse que o Egipto irá provavelmente acabar por juntar-se ao pacto de defesa mútua assinado recentemente entre a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia. "O Egipto já é o nosso parceiro natural em todas as questões. Penso que, na próxima etapa, o país estará também connosco no seio da aliança", declarou.
A assinatura do acordo (chamado de Meca) surgiu inesperadamente, no quadro de uma das crises mais intensas n o Médio Oriente, tendo por isso provocado as mais diversas reações. Duras críticas e bastante ceticismo surgiram do lado do Irão, que considerou a decisão uma cópia islâmica do modelo da NATO. O facto de as relações entre a Arábia Saudita e o Irão serem historicamente difíceis não ajuda Teerão a aceitar pacificamente a aliança. Teerão reagiu de forma muito negativa, uma vez que o pacto surge em resposta aos ataques de mísseis iranianos e de milícias pró-Irão (como os Houthis) contra o território e infraestruturas sauditas.
Sendo os três signatários aliados próximos de Washington (como também sucede com o Egipto), os Estados Unidos viram o acordo assinado de forma positiva, interpretando-o como um mecanismo para partilhar o fardo da segurança e conter a agressividade regional do Irão. Os Estados Unidos e a NATO observam o pacto com uma cautela pragmática: embora vejam com bons olhos a contenção do Irão, monitorizam com atenção a autonomia militar deste novo eixo.
Fontes diplomáticas notam que o pacto reflete as crescentes dúvidas dos países do Golfo sobre a fiabilidade absoluta do escudo de segurança norte-americano, forçando as potências sunitas a criar a sua própria rede de dissuasão – tendo sempre em vista, pelo menos no quadro geopolítico atual, a iniciativas militares iranianas fora das suas fronteiras.
"Segundo a visão do nosso presidente, não nos devemos limitar a três países. Devemos expandir-nos e, se necessário, reunir todos os países sob este mesmo teto", assegurou. Fidan garantiu que outros países tinham manifestado interesse em juntar-se ao acordo. Contudo, segundo o próprio, os membros fundadores devem debater a forma como o alargamento deve ser gerido e acrescentou que alguns países que desejam aderir pediram para não serem nomeados.
"É importante retomarmos mais o controlo da nossa região, porque as potências hegemónicas externas não resolvem os problemas, exacerbam-nos", declarou igualmente Hakan Fidan, sem especificar a que países se referia.
Analistas apontam que a aliança une a riqueza financeira e energética da Arábia Saudita, o complexo industrial militar avançado da Turquia (membro da NATO) e o poder militar terrestre e dissuasão nuclear do Paquistão. Para além do Egipto, Kuwait e Qatar são vistos pelos analistas como potenciais candidatos a integrarem a aliança no futuro.
Enquanto a guerra no Médio Oriente se arrasta, o acordo assinado na sexta-feira em Meca vincula a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia — países de maioria sunita — através de uma cláusula de defesa mútua ao estilo da NATO. O chefe da diplomacia turca indicou que o acordo estava em preparação há mais de dois anos e garantiu que "a aliança não terá diferendos com nenhum país desde que não seja atacada".
Fidan sublinhou que o objetivo do acordo "não é tanto enviar uma mensagem ao mundo exterior, mas sim que os países signatários se comprometam a não constituir uma ameaça à segurança dos outros", acrescentou.
Ao mesmo tempo, reiterou, que o acordo não entra em "conflito" com os compromissos da Turquia perante a NATO. "Não somos, aliás, os primeiros a agir assim", disse, recordando que "os Estados Unidos concluíram acordos semelhantes com numerosos países fora da NATO, incluindo Israel". Mantendo de longa data uma cooperação militar com o Paquistão, com o qual tinha assinado um acordo de defesa mútua em setembro de 2025, a Arábia Saudita aproximou-se da Turquia ao longo da guerra, após anos de relações tensas. Após a assinatura do acordo de defesa, a Arábia Saudita salientou que o entendimento não procura criar um "eixo militar" ou "sectário" nem tem "ambições nucleares".
Para todos os efeitos, o Acordo de Meca representa uma das mais profundas reconfigurações geopolíticas do Médio Oriente e do mundo islâmico nas últimas décadas. O pacto de defesa mútua cria um bloco de cooperação militar sem precedentes e afigura-se como uma resposta direta à escalada de tensões na região, marcada por recorrentes ataques de mísseis e drones iranianos e pelas suas milícias aliadas contra infraestruturas estratégicas sauditas.
Perante uma percebida perda de fiabilidade do histórico escudo de proteção dos Estados Unidos, a Arábia Saudita optou por construir uma arquitetura de segurança regional própria. Para a Turquia, o acordo consolida a sua projeção de poder e abre novos mercados de exportação militar. Para o Paquistão, fragilizado economicamente, o pacto garante um balão de oxigénio financeiro através de investimentos do Golfo.
Embora os signatários insistam no carácter estritamente defensivo do tratado, o acordo prevê cláusulas de assistência mútua, partilha de informações secretas e patrulhas conjuntas no Mar Vermelho. O grande desafio futuro reside na execução prática do pacto, com analistas céticos a questionarem se Ancara ou Islamabad enviariam efetivamente tropas para um conflito direto contra Teerão.
Este fim-de-semana, a guerra entre o Irão e os Estados Unidos ficou marcada por um misto de ameaças de "guerra total", um ataque a um petroleiro e intensas negociações de bastidores mediadas por Omã para a reabertura do Estreito de Ormuz. No sábado, um míssil iraniano atingiu um petroleiro que trabalhava para uma empresa estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos , com o ataque anão causar vítimas, mas a elevar o alarme internacional.
Entretanto, em Israel
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou entretanto que "Israel rejeita" o mais recente roteiro de paz apresentado por Washington, aceite pelo Hamas, e condicionou qualquer retirada israelita a um desarmamento "real" do movimento islâmico. Sem qualquer surpresa, "Israel rejeita o documento de 15 pontos" apresentado no final de julho pelo Conselho de Paz de Donald Trump, afirmou Netanyahu durante uma reunião do executivo.
E insistiu que as forças armadas israelitas “não farão qualquer retirada” do território palestiniano enquanto o Hamas não for verdadeiramente desarmado". “As Forças de Defesa de Israel não efetuarão qualquer retirada até ao desarmamento do Hamas. E quando digo 'desarmamento do Hamas', refiro-me tanto às armas pesadas como às ligeiras: todas as armas”, afirmou Netanyahu num vídeo publicado nas redes sociais.
O primeiro-ministro israelita afirmou que estão a dialogar com a parte norte-americana depois de terem rejeitado o acordo, que tinha sido aceite pelo Hamas e por outras milícias palestinianas armadas. “Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes perante estas questões”, argumentou.
“A existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação. Mantemo-nos firmes nestes interesses”, frisou Netanyahu, acrescentando que as tropas israelitas continuarão a impedir as “ameaças” existentes contra Israel e os seus cidadãos. Netanyahu reiterou que, enquanto for primeiro-ministro, não haverá um Estado palestiniano.
Por outro lado, não há qualquer evidência de que Israel conceda autorização formal para a entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, um contingente multinacional proposto no âmbito do Conselho da Paz.