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Economia da Europa sob pressão leva a terça-feira negra nos mercados. Banca foi a mais penalizada

A economia dos três grandes países da Europa – Alemanha, Reino Unido e França – já conheceu melhores dias e o resultado foi o sell-off nas praças europeias que ocorreu esta terça-feira. A banca foi o setor mais afetado nas bolsas. Por cá o BCP tombou 2,21%.

A economia dos três grandes países da Europa – Alemanha, Reino Unido e França – já conheceu melhores dias e o resultado foi o sell-off nas praças europeias que ocorreu esta terça-feira. A banca foi o setor mais afetado nas bolsas.

O CAC 40 caiu esta terça-feira 1,64% para 7.714,15 pontos.

Os analistas do Jefferies destacam que a moção de confiança convocada para 8 de setembro pelo primeiro-ministro francês provocou uma onda de vendas nas ações dos bancos franceses, com quedas de 8% a 10% na semana.

Os investidores em ações elevaram o custo de capital dos bancos franceses em cerca de 100 pb (contra 20 pb para o setor) devido aos receios de instabilidade governamental e de uma potencial queda do rating de crédito soberano.

Por sua vez as yields dos títulos franceses a 10 anos apresentam uma variação modesta (para 3,50%, +8 pb desde antes do evento e +15 pb em relação ao final de julho).

O momento conturbado ao nível político e das contas públicas que se vive em França tem agitado os mercados.

Olhando para as praças europeias, Londres caiu 0,60% para 9.265,8 pontos; o alemão DAX perdeu 0,50% para 24.152,9 pontos; Milão fechou a cair 1,33% para 42.654,95 pontos; o espanhol IBEX desceu 0,96% para 15.119,3 pontos. Grécia também em forte queda de 1,87% e Holanda idem a cair 0,68%.

O PSI caiu -0,71% para 7.860,91 pontos arrastado pelo tombo das ações da Mota-Engil (-3,82% para 4,838 euros) e dos CTT (-3,10% para 7,49 euros). Os CTT estão entre as maiores quedas no PSI, depois de segunda-feira à tarde terem revelado que vão suspender as entregas de encomendas para os EUA, devido à descontinuação da isenção de direitos aduaneiros sobre mercadorias importadas em solo americano.

Outro desaire foi o tombo das ações do BCP de -2,21% para 0,7520 euros o que é explicado pelo facto de o setor da banca ter sido o mais castigado da Europa o que acabou por arrastar o sentimento um pouco por todas as bolsas europeias. A banca sentiu a pressão de Paris e um pouco por toda a Europa liderou as perdas, destacam os analistas da MTrader.

O que é certo é que paira sobre os três grandes países europeus (Reino Unido, Alemanha e França) um fantasma de desaire económico, o que não ajuda ao sentimento.

O que se passa é que o governo francês está em em risco de colapso com voto de confiança orçamental em Setembro. A iniciativa, arriscada, pode ditar o fim do seu mandato e já está a provocar nervosismo nos mercados financeiros.

Longe vão os tempos em que os mal comportados em termos de dívida pública e défice eram os países do sul. 

A Dívida Pública da França deve atingir cerca de 112% do PIB até o final de 2025, segundo previsões da Trading Economics. Este valor indica um aumento na dívida governamental em relação à produção económica do país, com expectativas de que a proporção continue a crescer nos anos seguintes. O déficit público na França chega a 5,4% do PIB.

A par com uma elevada dívida pública em percentagem do PIB e um défice pesado, o Governo liderado por François Bayrou avançou com medidas orçamentais que pretende aplicar para reduzir o défice e a dívida pública, o que tem provocado uma agitação política.

Os rumores de risco de intervenção externa no país não desarmam o que obrigou o Ministro das Finanças Eric Lombard a assegurar através de uma publicação na rede social X, que o país “não está sob ameaça de intervenção, nem do FMI, nem do BCE nem de qualquer organização internacional”.

Mas a situação económica de França não é excepção. O Reino Unido está em rota ascendente no que toca a dívida e défice.

Estimativas indicam que a dívida do governo poderá atingir 96,9% do PIB até ao final de 2025, segundo modelos macroeconómicos da Trading Economics.

O Sunday Telegraph avançou que economistas conceituados do país alertam que o Reino Unido caminha para uma crise da dívida semelhante à dos anos 70 e para um resgate financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A aposta de Rachel Reeves nos impostos e nas despesas está a conduzir o Reino Unido a uma crise da dívida semelhante à dos anos 70 e a um resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertaram os economistas.

A ministra das Finanças do Reino Unido foi aconselhada a cortar drasticamente os gastos públicos para evitar que a Grã-Bretanha precise de um resgate financeiro semelhante ao da década de 1970.

A economia alemã também não está melhor já que o PIB contraiu 0,1% no segundo trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior. A economia alemã recuou em cadeia 0,3% no segundo trimestre, concluíram as autoridades revendo em baixa a previsão inicial (-0,1%). Face a período homólogo, cresceu 0,2%.

Recorde-se que a economia alemã entrou em recessão em 2023 e 2024.

As expectativas de exportação do IFO para a Alemanha pioraram em agosto, caindo para -3,6 pontos, face aos -0,3 pontos de julho. “A desilusão está a alastrar nos negócios de exportação”, afirma Klaus Wohlrabe, chefe de investigação do IFO. “Embora uma tarifa de 15% dos EUA seja inferior ao temido, enfraquecerá o ímpeto das exportações”.

Do outro lado do Atlântico as encomendas de bens duradoiros nos EUA terão aumentado 1,1% em julho e dão sinais de força. Também as encomendas e equipamentos, um barómetro da renovação empresarial subiram 1,1% e 0s embarques (importante no cálculo do PIB governamental) cresceram 0,7% segundo a MTrader. As remessas de bens de capital  não relacionados com a defesa, incluindo aeronaves, subiram 3,3% em julho.

Nas commodities os preços do ouro atingiram um máximo de duas semanas nas primeiras horas da sessão de terça-feira. Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe diz que esta subida reflete o enfraquecimento do dólar norte-americano e uma maior procura por ativos de refúgio. 

A cotação do barril de Brent para entrega em outubro terminou esta terça-feira no mercado de futuros de Londres a descer 2,23%, para os 67,22 dólares.