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Do Ikea às bazucas da Saab. Suécia aposta forte em Portugal

Investimento a As 260 empresas suecas presentes em Portugal empregam 18 mil pessoas e contribuíram com 4,2 mil milhões de euros para a economia portuguesa nos últimos cinco anos. No mesmo período, estas empresas investiram mais de 1,1 mil milhões de euros no país.

Debaixo das ruas tranquilas de Estocolmo, onde a cidade respira história e modernidade à superfície, existe um mundo subterrâneo dedicado à exploração de recursos minerais. Poucos imaginam que, sob a sede da Epiroc (que significa “rocha” em português), se estende uma mina artificial com mais de 3,3 quilómetros de túneis — um verdadeiro laboratório onde o futuro da indústria mineira é testado diariamente. É neste ambiente controlado que as máquinas ganham vida. Equipamentos de perfuração avançam pela rocha com uma precisão quase cirúrgica, enquanto engenheiros monitorizam cada movimento, cada vibração, cada detalhe.
A Epiroc, gigante do setor, com atividade em 150 países, fornece equipamento de perfuração e exploração de superfície e subterrânea, transporte e carregamento, acessórios hidráulicos e aço de perfuração. Com presença em Oeiras e Aljustrel, onde conta com um centro de serviços, trabalha diretamente com a maior mina do país, a Somincor – Sociedade Mineira de Neves-Corvo, estando ainda presente na Almina Aljustrel, fazendo ainda parte do projeto Linha Ruby do Metro do Porto. “Estamos atentos a novas oportunidades de negócio em Portugal”, diz Ola Kinnander, media relations da empresa que emprega atualmente 52 pessoas em Portugal, ao Jornal Económico.
Este dinamismo empresarial insere-se num contexto de forte relação económica entre Portugal e a Suécia. Entre 2020 e 2024, as empresas suecas investiram 1,1 mil milhões de euros em território nacional, gerando um valor acrescentado bruto de 4,2 mil milhões de euros e, em 2024, empregavam mais de 18 mil pessoas. “Portugal tem vindo a afirmar-se como um dos principais centros tecnológicos da Europa, como plataforma para a expansão global, bem como um local atrativo para a relocalização de operações globais. A combinação entre custos competitivos e qualidade, aliada a uma infraestrutura tecnológica e uma elevada qualidade de vida, tem permitido a expansão de várias empresas suecas ao longo das últimas décadas”, diz Jennifer Ekström, presidente da Câmara de Comércio Luso-Sueca, ao Jornal Económico.
A balança comercial entre os dois países é equilibrada. De acordo com dados da Câmara de Comércio Luso-Sueca, as exportações de bens portugueses para a Suécia totalizaram 1,14 mil milhões de euros em 2024, com um aumento de 113% entre 2020-2024, enquanto as exportações de bens suecos para Portugal totalizaram 875 milhões em 2024, tendo crescido 41% entre 2020-2024. A Suécia é já o 11º destino das exportações portuguesas – à frente de países como o Brasil e Marrocos. “A Suécia e Portugal têm uma relação de longa data e continuam a reforçar os laços comerciais. Os dois países revelam várias sinergias, com destaque para o comércio, funcionando como portas de entrada para mercados globais e como mercados de teste atrativos, com boas infraestruturas e pessoas curiosas e inovadoras”, acrescenta Jennifer Ekström.

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