O número de reapreciações dos exames nacionais vai aumentar. Primeiro começou por ser a Federação Nacional de Educação (FNE) a deixar o alerta e depois o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), Filinto Lima, falou com o Jornal Económico e deixou o mesmo aviso.
Quando questionado sobre o número de alunos que poderão pedir reapreciação dos exames nacionais, Filinto Lima considerou que este dado seria mais elevado, "em virtude dos constrangimentos que foram públicos deste processo de classificação das provas".
"Eu acho que muitos pais vão pedir reapreciação. A média anual anda à volta dos 2% e esses 2% são um valor relativamente baixo. Este número eu acho que vai aumentar", assegurou o dirigente da Andaep.
No entanto, Filinto Lima alertou os pais para o seguinte: "Para pedir a reapreciação ao pagamento de 25 euros, dinheiro que pode ser entregue ao aluno se de facto a nota subir, mas também corre o risco o aluno da sua nota descer".
O presidente da Andaep antecipa ainda que as escolas vão precisar "de mais recursos humanos para fazer face a uma avalanche de pedidos que estou a prever existir a partir de segunda-feira".
Sabe-se que os alunos que pedirem reapreciação dos exames têm mais três dias para concorrer ao superior, conforme explicou o ministro da Educação, Fernando Alexandre, na sexta-feira, na Assembleia da República, no debate de urgência requerido pelo PCP.
Na terça-feira, a FNE alertou o Governo para "o eventual impacto de um aumento significativo dos pedidos de reapreciação". "Se, num universo de cerca de 300 mil provas, uma taxa de reapreciação de 2%, em linha com o verificado em anos anteriores, corresponde a aproximadamente 6 mil pedidos, uma subida para 10% representaria cerca de 30 mil processos e uma subida para 20% poderia significar cerca de 60 mil reapreciações", detalhou a federação.
"Estamos, portanto, perante a possibilidade de o sistema ter de responder a um volume cinco ou dez vezes superior ao habitual", avisou a FNE.
Uma primeira fase "deficiente" e com "enormes constrangimentos"
Para Filinto Lima "esta primeira fase [de exames] decorreu de uma forma muito deficiente, com enormes constrangimentos, quer no processo de digitalização, quer na plataforma que muitas vezes foi inimiga do trabalho dos professores classificadores. Não ajudou, complicou".
No começo de julho, a plataforma online onde os professores corrigem os exames nacionais do ensino secundário encontrava-se. “Foi detetada uma fragilidade, mas não houve ataque", admitiu o ministro da Educação, acrescentando que a fragilidade “foi sinalizada” e posteriormente “a Deloitte sugeriu suspender temporariamente a plataforma”.
Na altura, o governante afirmou que todo o processo estava a ser acompanhado, desde o primeiro instante, pelo Gabinete Nacional de Segurança.
De lembrar que este ano, pela primeira vez, os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram digitalizados e depois distribuídos pelos professores avaliadores. No entanto, o sistema informático apresentou problemas desde o início, com convocatórias erradas de professores até falhas na plataforma que impediam os docentes de corrigir os exames do 11.º e 12.º anos.
Apesar dos problemas, Filinto Lima disse não ter "dúvidas que o modelo de correção dos exames de ensino secundário é este, é o modelo digital".
"Os professores deram boa nota [ao modelo de correção] e disseram que era mais fácil trabalhar e classificar as provas do que antigamente, referiu acrescentando que "é preciso é funcionar bem".
Depois de tudo isto, no dia da divulgação das notas dos exames, o Governo assegurou que todas as notas seriam publicadas, mas tal não aconteceu, dado que alguns alunos não tiveram nota atribuída.
A esperança de uma segunda fase melhor
Na sexta-feira, durante debate no Parlamento, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, assegurou que está em condições de garantir que os problemas ocorridos na primeira fase dos exames nacionais não vão acontecer na segunda fase dos exames.
Sobre esse assunto, Filinto Lima sublinhou que "o ministro vai insistir na segunda fase no mesmo modelo de correção e espero que ele esteja ciente que quer a plataforma, quer o processo de digitalização tem de estar a 100%, não pode falhar, não pode haver mais erros".
A associação espera que na segunda fase "não existam quaisquer espécie de constrangimento para, na verdade, resgatar este modelo". "Porque se não é um modelo que morre à nascença", garantiu.