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Depois da UE, Reino Unido alerta para riscos da IA à estabilidade financeira

Banco de Inglaterra alerta no seu relatório de estabilidade financeira para os riscos ao sistema de uma correção abrupta e agressiva das ações tecnológicas, sobretudo ligadas a IA, dada a alavancagem nestas posições e a incerteza em torno da rentabilidade da tecnologia, em linha com os alertas do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Depois da UE, agora é o Reino Unido a avisar: o elevado investimento em torno de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) cria um risco sistémico e ameaça a estabilidade financeira, sobretudo caso haja uma correção abrupta e considerável de preços.

Na sua avaliação bianual, o Comité de Política Financeira do Banco de Inglaterra (BoE) alerta para o crescimento no investimento em IA, sobretudo de investimentos financiados por dívida, dado que a alavancagem pode exacerbar correções inesperadas. Este é o principal risco ao sistema financeiro, mesmo considerando as perturbações geradas pelo conflito israelo-americano contra o Irão.

Esta tecnologia exige níveis sem precedentes de investimento para desenvolver, aponta o relatório, o que colide com a incerteza em torno da sua rentabilidade futura. Como tal, a possibilidade de um repricing agressivo é real, sendo que o envolvimento de cada vez mais fundos neste ramo amplifica o risco.

“Uma reavaliação destas perspetivas pode desencadear uma queda nos preços que arrisca ser amplificada pela elevada concentração, por posições correlacionadas e motivadas pelo ímpeto que podem exacerbar a volatilidade à medida que os mercados caem, e pela alavancagem crescente”, lê-se no relatório do BoE.

A juntar a isto, as ameaças à cibersegurança aumentam com a IA, cuja capacidade de encontrar vulnerabilidades nos sistemas é muito superior à de um humano.

Estes alertas ficam em linha com os avisos do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que havia avisado, num relatório semelhante, que as avaliações atuais nos mercados parecem esticadas, sobretudo à boleia de um segmento de IA que “tem movido mais os mercados do que as divulgações de dados macro convencionais”.

“Mas o retorno dos investimentos em IA permanece incerto, sobretudo dada a competição crescente neste ramo. Portanto, a expectativa que os lucros das grandes tecnológicas continuem a compensar perdas noutros mercados pode ser contestada. Se a expectativa quanto aos dividendos é revista em baixa, os preços podem corrigir abruptamente e a volatilidade de mercado explodiria”, lê-se no relatório do MEE.

Este risco ameaça atirar a UE para a recessão, especialmente se se materializar ao mesmo tempo que novo conflito no Médio Oriente e subsequente choque energético. E, apesar da resistência mostrada na última década e meia, a Europa deve mentalizar-se que essa resistência “não deve ser tomada como garantida”, alerta o economista chefe do MEE, Rolf Strauch.

Recorde-se que a exposição da zona euro aos EUA disparou de 18% em 2013 para 47% no ano passado. Segundo os cálculos do MEE, um cenário adverso de choque duplo – energético e financeiro – arrisca tirar 2% ao PIB anual da moeda única até 2035, o equivalente à economia finlandesa.