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Coporgest investe 220 milhões em projeto turístico da Park Hyatt na Comporta

O 'Comporta Beach Resort – Park Hyatt Comporta & Luxury Beach Residences by Coporgest', marca a estreia do grupo norte-americano de ultra luxo hoteleiro na Península Ibérica, nomeadamente na Comporta e cuja a conclusão do empreendimento está programada para o primeiro trimestre de 2029. "É uma obra exigente, com pormenores construtivos requintados. Não é possível fazer boa construção em tempo recorde", afirma Sérgio Ferreira, CEO da Coporgest.

A promotora imobiliária Coporgest vai investir 220 milhões de euros no projeto turístico que marca a estreia na Península Ibérica, nomeadamente em Portugal, na região da Comporta, da Park Hyatt, marca de luxo da empresa norte-americana Hyatt Hotels Corporation. O acordo para a construção do 'Comporta Beach Resort – Park Hyatt Comporta & Luxury Beach Residences by Coporgest', já está assinado e pretende reforçar o posicionamento internacional da Comporta como um dos destinos mais exclusivos da Europa.

Em Portugal, a presença da Hyatt está em forte expansão, com o grupo a triplicar o seu portefólio no país através de aberturas recentes e planeadas. Em maio deste ano a empresa assinou um acordo para transformar num hotel e em branded residences da marca Park Hyatt, a antiga sede da Fidelidade Seguros, no Calhariz, em Lisboa. O ativo, com cerca de 20 mil metros quadrados, é composto por dois palácios do século XVIII — o Palácio Calhariz-Palmela e o Palácio Sobral — ambos situados entre o Bairro Alto e o Chiado.

Portefólio da Hyatt Hotels

No que toca aos hotéis já em funcionamento, destaca-se o Hyatt Regency Lisbon, em Belém, inaugurado em 2022. Este foi o primeiro hotel da marca em Portugal. Trata-se de uma unidade de cinco estrelas localizada junto ao rio Tejo, com 204 quartos.

O grupo Hyatt Hotels Corporation conta também com o Dreams Madeira Resort Spa & Marina, na Madeira, integrado na Inclusive Collection do grupo. Trata-se de um resort de luxo focado no conceito de “tudo incluído”.

O grupo tem ainda o Hyatt Regency Vilamoura Algarve, que abriu portas no início de 2026 e resultou da reconversão do antigo hotel Dom Pedro Vilamoura. A unidade dispõe de mais de 250 quartos e suites, junto à famosa marina e aos campos de golfe.

Por fim, destaque para o “Masana Algarve, Destination by Hyatt”, em Albufeira. Inaugurado recentemente, em março de 2026, marcou a estreia da marca “Destination by Hyatt” no país. Está situado em Olhos de Água e oferece um conceito residencial de luxo.

Próximas aberturas

Em relação às próximas aberturas confirmadas para este ano, a marca lifestyle da Hyatt vai reforçar a sua presença na capital portuguesa com dois hotéis muito aguardados na zona histórica. Um deles é o Andaz Lisbon, na Baixa Pombalina, com abertura prevista para o primeiro semestre de 2026. Será o primeiro hotel de luxo lifestyle da marca Andaz no país, ocupando cinco edifícios históricos remodelados perto da Praça do Comércio. Terá 170 quartos e um restaurante no terraço, o Luzzi.

Já o The Standard, Lisbon, em Alfama, está também previsto para 2026 e vai nascer no histórico Palácio de Santa Clara, atualmente em reabilitação. O hotel contará com 197 quartos, terraço na cobertura, spa e jardins com vistas sobre o bairro de Alfama.

O grupo Hyatt Hotels Corporation conta atualmente com mais de 1.450 hotéis e propriedades all-inclusive no seu portefólio global. A cadeia hoteleira norte-americana está presente em mais de 80 países, distribuídos por seis continentes.

No segundo trimestre a empresa registou um lucro líquido de 110 milhões de dólares (95 milhões de euros) e um EBITDA de 297 milhões de dólares (257 milhões de euros), com o total das receitas a registar um crescimento homólogo de 7,8%, para 7.101 milhões de dólares (6.167 milhões de euros), com um pipeline de aproxidamente 154 mil quartos, um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Sérgio Ferreira, CEO da Coporgest explica as razões da Hyatt para escolher Portugal e o impacto que o projeto na Comporta pode representar para o turismo português e todas as características que o envolvem.

Sem adiantar nomes, o responsável adianta que a promotora encontra-se neste momento a olhar para dois novos investimentos, tendo atualmente ativos consolidados que se aproximam dos 300 milhões de euros.

Quais as características que distinguem este projeto e o seu valor de investimento?

No global, o investimento no Comporta Beach Resort – Park Hyatt Comporta & Luxury Beach Residences by Coporgest rondará os 220 milhões de euros. Este empreendimento turístico vai girar em torno de uma unidade hoteleira clássica com 58 quartos e suítes, incluindo duas suites presidenciais com piscina privativa. Para além desse edifício central, o projeto incluirá ainda 37 villas de tipologias V2, V3 e V4 todas com piscina privativa e 71 apartamentos de tipologias T1, T2 e T3.

A propriedade virá a dispor ainda de um restaurante para serviço do hotel, um restaurante de praia e um restaurante de assinatura, um spa com piscina coberta e cinco salas de tratamentos e um ginásio. O projeto considera ainda uma central de dessalinização que permitirá alimentar todas as piscinas com água do mar. O projeto considera ainda uma central de dessalinização que permitirá alimentar todas as piscinas com água do mar.

O projeto contempla igualmente um parque de estacionamento subterrâneo, que representou um investimento muito significativo em escavação e impermeabilização. Esta opção resulta da intenção de minimizar a presença de automóveis à superfície, preservando a integração paisagística do empreendimento e privilegiando espaços dedicados aos peões e à circulação em bicicleta. O objetivo é proporcionar uma experiência mais serena, segura e em maior sintonia com a natureza, privilegiando o ambiente natural e o contacto com a natureza.

Em que fase de construção se encontra e quando está prevista a sua abertura?

Neste momento estamos a terminar a fase de construção da estrutura de escavação e de vias de circulação do empreendimento. Deve ficar terminado até setembro deste ano. A empreitada de redes e acabamentos foi adjudicada ainda durante o mês de julho. É uma obra exigente, com pormenores construtivos requintados. Não é possível fazer boa construção em tempo recorde.

Vamos entregar todas as unidades ao mesmo tempo, para garantir que os nossos clientes, quando entrarem na propriedade, estarão num paraíso sem gruas, sem pó e com obra concluída. A fase de escavação, estrutura e infraestruturas ficará concluída dentro de 45 dias. Estamos neste momento a concluir a negociação para a fase de redes e acabamentos.

O plano aponta para a conclusão do empreendimento no primeiro trimestre de 2029. Todas as unidades serão entregues já decoradas e mobiladas de acordo com o projeto de interior design da Bar Studio, uma firma australiana que assina projetos fantásticos, com quem estamos a trabalhar intensamente neste momento.

O contrato com a Park Hyatt é válido por quantos anos?

A Park Hyatt é a marca hoteleira de maior luxo e sofisticação do grupo Hyatt. É luxo e serviço de 5 estrelas "à séria". Para hotéis deste nível as marcas hoteleiras fazem muitas exigências de qualidade da construção e do nível de serviço prestado aos hóspedes, e foi esse nível de exigência que levou a que a negociação nos levasse quase quatro anos a ser concluída. O contrato foi assinado em 9 de julho, ou seja, há muito poucos dias, e prevê um prazo de 20 anos contados desde a data de abertura ao público.

Estamos a falar de um projeto com uma dimensão considerável, que está completamente focado na excelência e que combina vários fatores de grande exigência: uma localização única e irrepetível, um projeto de arquitetura bem conseguido, um interior design fantástico, uma qualidade construtiva muito exigente, acabamentos de grande requinte e uma marca hoteleira do melhor que existe à face da Terra.

Quais os preços para as villas e apartamentos?

Os preços das unidades residenciais deste projeto estão neste momento a ser revistos. Posso adiantar que estão alinhados com a qualidade do produto e com o mercado da zona. E não vale a pena a esquerda radical vir com a lenga-lenga do costume de que os promotores imobiliários são uns especuladores selvagens que só fazem casas para ricos. Os promotores imobiliários sujeitam-se às regras do mercado.

Entregam 40% dos preços de venda à fiscalidade do Estado português, têm de esperar anos e anos para vencer dezenas de obstáculos que nos são colocados pelas entidades públicas e têm de pagar custos de construção que têm crescido de forma galopante.

O verdadeiro problema não reside nos preços das casas. O verdadeiro problema, que ninguém tem coragem de denunciar, é que os políticos portugueses, de forma geral, são medíocres e incompetentes, e alguns deles ficam ricos sem explicação. Ao fim de 50 anos de democracia têm para entregar aos cidadãos portugueses um aparelho de Estado que funciona muito mal e um nível salarial médio completamente miserável, que é menos de um terço daquilo que se paga nos países do norte da Europa.

Se o país fosse bem administrado por políticos sérios e competentes, os portugueses viveriam com qualidade, em vez de sobreviverem. O problema não reside no preço das casas, mas sim no baixo nível de vida que existe em Portugal. Poderíamos ter um país rico, mas os políticos portugueses não têm capacidade e coragem para lá chegar. É o que temos.

Quais as razões da Hyatt para escolher Portugal, como país para a sua primeira unidade na Península Ibérica?

A Hyatt apaixonou-se pela localização absolutamente única desta propriedade, e apaixonou-se pela qualidade dos produtos da Coporgest. A Comporta é uma zona de enorme potencial que, infelizmente, tem acolhido unidades hoteleiras de fraca qualidade. É preciso qualificar a Comporta, subindo a exigência. Mais uma vez: não se trata de afastar os pobres para dar lugar aos ricos. Trata-se de desenvolver projetos que respeitem os valores ambientais e que estejam à altura da qualidade do destino. Já chega de mediocridade.

O que representa para a Coporgest esta parceria?

O facto de um grupo global como a Hyatt se sentir confortável para celebrar um compromisso desta natureza e magnitude com a Coporgest é, ao fim ao cabo, o reconhecimento de que conseguimos cumprir requisitos e critérios extremamente exigentes. É uma espécie de selo de qualidade que é posto não apenas neste empreendimento, mas também na reputação da própria Coporgest.

Que outros projetos imobiliários tem a Coporgest em análise para investimentos futuros?

Apesar de termos ativos consolidados que se aproximam rapidamente dos 300 milhões de euros, tenho uma equipa enxuta e os nossos recursos financeiros, de tempo e operacionais têm limitações. Estamos sempre a analisar oportunidades e estamos neste momento a olhar para dois investimentos importantes. Como compreenderá, não posso nem devo falar sobre eles neste momento.

Que impacto pode este projeto representar para o turismo português?

Esta será a primeira unidade da Park Hyatt na Península Ibérica, e é importante compreender que esta marca é do melhor que existe no mundo. São extremamente exigentes em tudo e oferecem aos clientes um serviço de padrão elevadíssimo.

Por isso costumo dizer que esta parceria tem um significado especial a três níveis: confirma que a Hyatt reconhece que Portugal é um destino turístico relevante, confirma que a Comporta é um destino excecional que está preparado para acolher projetos de elevado padrão e confirma que a minha Coporgest é um parceiro de referência e muito credível no mercado turístico e imobiliário português. Estou muito orgulhoso por termos conseguido fechar esta parceria, que nos levou quatro anos de dura negociação, com enorme rigor de ambos os lados.