O primeiro trimestre económico em Portugal foi fortemente influenciado negativamente pelas tempestades verificadas no território nacional, primeiro, e depois pela guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão, alerta a CIP – Confederação Empresarial de Portugal no seu barómetro mais recente. A duração dos efeitos será variável, mas, para já, a confiança dos agentes registou já a maior quebra dos últimos quatro anos.
O barómetro conjunto da CIP e ISEG referente a abril aponta para a quebra mais significativa da confiança na economia nacional dos últimos quatro anos, refletindo a deterioração das perspetivas após a decisão norte-americana e israelita de bombardear o Irão. A quebra de confiança foi transversal aos vários agentes da economia e, do lado dos consumidores, superou mesmo a quebra média registada na zona euro.
“No entanto, para além de se anteciparem diferenças quanto à sua magnitude, o impacto de ambos os acontecimentos mostrar-se-á diverso também quanto à persistência e horizonte de recuperação e quanto às vias de transmissão dos choques aos agentes e à economia”, ressalva o documento.
O índice de confiança compilado pelo ISEG caiu ainda para 48,6 pontos em abril, ficando, contudo, 2,3% acima do valor homólogo de 2025.
No que respeita aos impactos das intempéries do início do ano, “para além de terem condicionado a produção e a atividade dos serviços em vários concelhos das regiões Oeste, Centro, Vale do Tejo e Península de Setúbal, resultaram na destruição de stock de capital produtivo, cuja reposição estará também dependente da alocação dos fundos previstos nas linhas de apoio aprovadas pelo Governo”. Como tal, o impacto ter-se-á feito sentir sobretudo no primeiro trimestre.
De outra forma, o choque energético em curso apresenta-se mais complexo, incerto e abrangente.
“Para a economia portuguesa (tal como para a generalidade das economias importadoras líquidas de combustíveis fósseis), estes eventos configuram um choque negativo na oferta, com o preço final dos produtos derivados do petróleo e do gás de botija a acompanharem a tendência nos mercados internacionais”, esclarece o relatório.
Como tal, os efeitos deste choque terão tendência a “propagar-se à economia, aumentando os custos de produção de forma transversal, condicionando as decisões de investimento e impactando o rendimento disponível das famílias”.