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Cinquenta anos de todos os futuros ainda por imaginar

Dança : A temporada 2026/2027 tem um sabor especial para a Companhia Nacional de Bailado. Celebra 50 anos. Sem nostalgia e a apontar a um futuro “que se quer aberto, plural e surpreendente.”

E se furtarmos as palavras de Fernando Pessoa? “Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.”
É com a imagem poderosa e sensual destas palavras que Pessoa inscreveu no “Livro do Desassossego” que entramos na nova temporada da Companhia Nacional de Bailado (CNB). Foi, precisamente, nesta obra que se inspiraram Marcelino Sambé e Daniel Cardoso para a criação de Desassossego, integrada no ciclo “Nova Criação”. Um espetáculo e uma só obra, construída em dois bailados distintos, que revelam diferentes formas de olhar Pessoa: a inquietação íntima, o desdobramento do eu, a solidão e a multiplicidade que atravessam a sua escrita.
“Nesta estreia absoluta, Marcelino Sambé e Daniel Cardoso convocam a dança como espaço de multiplicidade, introspeção e inquietação, traduzindo em movimento a riqueza poética e fragmentária do universo pessoano”, escreve Fernando Duarte, diretor artístico da CNB, num texto sobre a nova temporada da companhia. De 22 de outubro a 1 de novembro, Pessoa tomará conta do palco do Teatro Camões, em Lisboa.
Uma escolha, queremos crer, nada inocente. Uma obra maior de um nome incontornável e cimeiro da literatura ilustra o impulso criativo que tem caraterizado a CNB. E quando a companhia se prepara para celebrar meio século de existência, convocar o universo pessoano é sinónimo da sua abertura, versatilidade e apetência por surpreender o público, sem pôr em causa a sua identidade.
Como Fernando Duarte sublinha, “ao longo do seu percurso, a CNB construiu uma identidade onde a memória se transforma continuamente em impulso criativo. Esta nova temporada afirma-se como um território onde os ecos do passado ressoam com renovada vitalidade, projetando-se num futuro que se quer aberto, plural e surpreendente.”

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