Portugal deve colocar como desígnio nacional o crescimento e a convergência com a média europeia e, para tal, é necessário desburocratizar e simplificar de forma a estimular o crescimento, defende a Associação Business Roundtable Portugal (BRP). Os custos de contexto são dos principais obstáculos ao desenvolvimento e crescimento do país e, apesar da evolução positiva em termos de contas nacionais, falta ambição e mais celeridade.
Na apresentação do estudo ‘Crescer sem convergir’ esta terça-feira em Lisboa, em que a ABRP aponta a perda de terreno da economia europeia em termos de produtividade média europeia por hora trabalhada neste século, Vasco de Mello, vogal da direção da associação, expôs ao JE as necessidades de investimento do país como forma de convergir em termos reais com o bloco europeu.
“Portugal, nos últimos anos, teve um nível de investimento muito inferior àquilo que os nossos parceiros tiveram e investimento é algo essencial para que possamos ter melhores condições para aumentar a produtividade”, começou por referir, apontando os obstáculos criados pelos elevados custos de contexto, em particular a burocracia.
Como tal, a simplificação é uma das prioridades em termos de políticas públicas para atingir o que, defende Vasco de Mello, deveria ser “um desígnio nacional: o crescimento e a convergência, em termos de produtividade, com os países europeus”.
Desde 2000, dois dos sectores que viram maior crescimento do emprego foram o dos serviços empresariais e o do alojamento e restauração, ambos com valor acrescentado bruto (VAB) abaixo da média nacional, destaca o estudo publicado esta terça-feira. Tal contribuiu para a redução da produtividade média do trabalho por cada hora no mesmo período, isto tomando uma comparação em paridade de poder de compra e como base a média europeia: de 67,6% no início do século, a economia nacional passou para 66,9% em 2025.
Com as discussões orçamentais à porta, a associação pede, portanto, um olhar para esta questão. Assim, “é muito importante criar regras muito mais simples para podermos assegurar que temos as condições das empresas investirem e das empresas poderem criar mais valor”, ainda mais num contexto em que os gastos públicos têm continuado abaixo do necessário para garantir a convergência com a média europeia.
“Há também uma responsabilidade partilhada do Estado, que é criar as condições para que esse investimento possa ser feito da forma mais rápida possível e que possa contribuir para o desenvolvimento”, acrescenta o presidente do Conselho de Administração da José de Mello.