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"Bolha imobiliária em Portugal? Questão não se coloca", garante CEO da APPII

Estudo da UBS coloca Lisboa na categoria de risco acrescido de bolha imobiliária, depois de os preços reais das casas terem aumentado cerca de 10% desde meados de 2025. "História da habitação é conhecida: falta de construção e falta de oferta", afirma Manuel Maria Gonçalves.

A Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) rejeitou esta terça-feira a existência de uma bolha imobiliária em Portugal. O estudo Global Real Estate Bubble Index 2026 da UBS divulgado esta terça-feira, 22 de setembro, coloca a cidade de Lisboa na categoria de risco acrescido de bolha imobiliária, mas ao Jornal Económico, o CEO da APPII, Manuel Maria Gonçalves, diz que "a questão da bolha imobiliária em Portugal não se coloca".

"O que acontece em Portugal é que o rendimento médio das famílias está completamente desajustado do preço das casas. O preço das casas está a 35% acima do rendimento disponível das pessoas. A questão da bolha imobiliária não se coloca sob esse prisma", assegurou o responsável, à margem do 'The District Madrid', que teve início esta terça-feira na capital espanhola (evento em que o JE marca presença).

Lisboa e Seul registaram os maiores aumentos do risco de bolha ao longo do último ano. A cidade portuguesa foi incluída pela primeira vez no estudo da UBS, juntamente com Seul.

Os preços reais da habitação em Lisboa cresceram quase 7% ao ano na última década, a taxa mais elevada entre as cidades analisadas, segundo o banco suíço. Desde meados de 2025, registaram uma nova subida de aproximadamente 10%.

Para o presidente dos promotores, é preciso conhecer-se a realidade nacional com detalhe para se assumir que há uma bolha imobiliária.

"O preço das casas em Portugal tem uma história e a história é a falta de construção. Os preços estão elevados, não talvez para os americanos, mas para os portugueses", salienta.

A UBS prevê que a manutenção dos custos de financiamento em níveis elevados durante mais tempo limite a subida dos preços da habitação no curto prazo.

"É preciso termos cautela, precaução. Não podemos ser alarmistas. A bolha imobiliária não existe no país", reforçou Manuel Maria Gonçalves.