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Britânicos reduzem central solar em Castelo Branco e cancelam outra

Depois da polémica gerada com o projeto inicial, promotor garante que esteve a ouvir as partes interessadas nos últimos meses procedeu a uma redução da área de painéis em 35%, tendo cancelado um segundo projeto também previsto para o distrito de Castelo Branco.

A central Sophia, no distrito de Castelo Branco, tornou-se conhecida do grande público no final de 2025 após uma grande contestação ao projeto inicial.

Em novembro de 2025, a consulta pública à central terminou com um recorde de participações, com mais de 10 mil cidadãos e entidades a participarem. As críticas públicas por parte das autarquias locais também se fizeram ouvir, assim como de associações ambientalistas.

A central levou um corte de 34% na potência instalada para os 573 MWp, com a área de painéis a recuar 35% para 258 hectares. Já a área vedada recua 32% para 1.178 hectares e passa a haver apenas uma linha de Muito Alta Tensão com uma extensão de 22 km e uma largura de 1 km (inicialmente eram duas linhas).

Além disso, o projeto passa a estar exclusivamente nos concelhos de Penamacor e Idanha-a-Nova, deixando de existir painéis no concelho do Fundão, por onde passará apenas a linha (17 km) para a ligação à subestação. Em termos de área de painéis, no concelho de Penamacor é reduzida a área em 25% para 130 hectares, com um corte de 9% em Idanha-a-Nova para 123 hectares.

Nos últimos meses, o promotor britânico garante que tem estado focado em "ouvir, ouvir, ouvir" as preocupações das autarquias e comunidades locais.

"Quando a consulta publica teve lugar, olhámos para o resultado e entendemos como uma mensagem das comunidades locais de que era preciso intensificar o processo de escuta ativa. Detalhamos bem mais o projeto do que tínhamos feito anteriormente", disse o diretor-geral da Lightsource BP em Portugal.

Sobre as lições retiradas do processo inicial de licenciamento, Miguel Lobo disse: "ouvimos as comunidades e fizemos contatos, mas foi um período particularmente complicado. Foi na altura das eleições autárquicas o que acabou por complicar. Decidimos agora intensificar o projeto de escuta ativa com as populações".

O gestor sublinhou que este é o sétimo projeto da empresa em Portugal e que os restantes não sofreram polémicas.

"O projeto tem muita qualidade, está fora de Reserva Agrícola Nacional, fora da Rede Natura, fora de habitats sensíveis, fora de povoamentos, está num solo que é pobre do ponto de vista ambiental, nos eucaliptais. Fizemos um esforço grande. Ouvimos as pessoas e adaptamo-nos aos que as pessoas se queixavam", afirmou num encontro com jornalistas.

Sobre o projeto Beira, também no distrito de Castelo Branco, com 270 MWp, que recebeu um parecer desfavorável por parte da APA devido a impactos negativos significativos nos ecossistemas locais, a Lightsource BP anunciou o seu cancelamento: "Na sequência do processo de avaliação ambiental do projeto Beira, foram identificadas várias alterações a considerar numa eventual reformulação, incluindo elementos resultantes do parecer emitido pela Comissão de Avaliação. A análise das implicações dessas alterações na configuração do projeto demonstrou que não estavam reunidas as condições de viabilidade financeira necessárias para prosseguir com o desenvolvimento da solução
reformulada".

De regresso ao projeto Sophia, a companhia conta também com 20 milhões de euros para dividir em projetos com as comunidades locais no tempo de vida útil da central, ao longo de 40 anos.

"Não conheço nenhum outro projeto que tenha trazido tantos benefícios partilhados à comunidade local", apontou.

Miguel Lobo destacou que a decisão final de investimento será tomada posteriormente, mas neste momento a empresa acredita que o projeto "terá viabilidade financeira".

A hibridização do projeto, juntando baterias para armazenar eletricidade é uma possibilidade no futuro ajudando a rentabilizar o projeto, que ambiciona fechar acordos de venda de energia (PPA) a empresas para obter receitas.

O valor de investimento do projeto anterior rondava aos 600 milhões de euros, com a empresa a acreditar que ficará agora mais baixo, não revelando valores.

A companhia prevê instalar mais 34% de cortinas arbóreas e arbustos locais para impedir a visualização da central. Disse ter também recuado os painéis face a povoações, plantando árvores pelo meio e que vai substituir 200 hectares de eucaliptos por azinheiras, uma espécie característica da região.

A empresa garante que o rácio de compensação florestal é de 18 vezes, superior ao exigido por lei. Já as árvores de plantação compensatória vão aumentar em 44% para 39 mil indivíduos. A distância ao dormitório do abutre-negro aumenta de 300 metros para mais de quatro quilómetros. E não vai haver grandes sobreiros abatidos, quando antes estavam previsto o abate de cinco.

Em termos de cronologia, a companhia espera que a consulta pública com o estudo prévio seja lançada em outubro, com a declaração de impacte ambiental a ser emitida no primeiro trimestre de 2027, para no segundo trimestre do próximo ano ser submetido o RECAPE, isto é, submissão de alterações ao projeto a pedido da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

No terceiro trimestre de 2027, entrará em consulta pública o projeto de execução, segundo este calendário, com a decisão de conformidade (DCAPE) a ter lugar no final de 2027. No terceiro trimestre de 2028, prevê-se a emissão das licenças de produção e estabelecimento. O início da construção está previsto para o primeiro trimestre de 2029, com a entrada em operação a ter lugar no segundo trimestre de 2031.

A companhia desenvolveu várias iniciativas de proximidade para as comunidades locais, como a 'Luz Partilhada', com eletricidade mais barata para as comunidades locais, com poupanças até 45% com a energia a ser gerada em pequenos parques solares locais,
num investimento de um milhão de euros. No caso do 'Banco de Energia' visa combater a pobreza energética através de um fundo anual para reabilitar casas e reduzindo a fatura energética aos mais vulneráveis, com quase 1,5 milhões de euros previstos, ao longo do tempo de vida.

A maior fatia é de oito milhões de euros no Fundo de Investimento Social Local, para financiar organizações e iniciativas de apoio social local, que será gerido de forma independente.

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