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BCE deve deixar juros inalterados apesar de apreciação recente do euro

A moeda única está em máximos históricos numa análise ponderada pelos fluxos comerciais, reforçando a probabilidade de cortes este ano, isto apesar de o BCE repetir várias vezes que não visa taxas de câmbio. Ainda assim, a primeira reunião de 2026 não deve trazer mexidas nos juros.

O Banco Central Europeu (BCE) reúne-se esta quarta e quinta-feira pela primeira vez este ano, isto numa altura em que o euro está máximos históricos e o comércio global continua a enfrentar uma incerteza anormalmente elevada. O mercado inclina-se para nova reunião sem mexidas, mas começa a ver margem para um corte preventivo em breve, apesar de a autoridade monetária europeia frisar que não visa taxas cambiais.

A reunião de fevereiro, a primeira do ano, conhecerá o seu desfecho esta quinta-feira e a expectativa generalizada do mercado é que os juros diretores se mantenham inalterados pela quinta vez consecutiva em 2%. A presidente Christine Lagarde deverá voltar a sublinhar a dependência dos dados em decisões futuras e a argumentar que o banco central está “numa boa posição”, como tem descrito nos últimos meses, para fazer face à incerteza ainda bastante elevada.

A economia europeia surpreendeu nos últimos meses, registando um crescimento positivo e inesperado no último trimestre de 0,3% em cadeia e vendo indicadores prospetivos como o índice de gestores de compras (PMI) estabilizar em terreno de expansão da atividade, sublinham os analistas. A isto junta-se a boa performance de economias como a espanhola ou a italiana e a expectativa que o estímulo orçamental alemão impulsione o bloco este ano.

Porém, a força do euro tem vindo a levantar preocupações dos investidores quanto ao impacto na economia europeia, sobretudo na vertente internacional e num contexto de elevada volatilidade comercial. A análise da Ebury destaca isso mesmo, lembrando comentários recentes dos governadores dos bancos centrais francês e austríaco, além do vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, a reconhecerem o impacto da apreciação da moeda na decisão de política monetária.

“Embora Lagarde possa ser de extrema discrição, quaisquer considerações suas sobre o impacto da taxa de câmbio serão dos elementos principais a monitorizar quinta-feira”, lê-se na nota da instituição financeira.

Numa análise ponderada pelos fluxos comerciais, o euro está em máximos históricos, ganhando 0,17% contra um cabaz de outras divisas desde a mais recente atualização de projeções macro do BCE, destaca a Aberdeen. “Ainda assim, Lagarde já expressou a sua tolerância a um euro mais forte”, relembram.

“Esperamos que [Lagarde] reforce esta visão, contrariando o recente movimento nos mercados de swap para incluir um possível corte em resposta à força do euro”, acrescentam os analistas.

Este é, contudo, um risco que não deve ser ignorado, considera o economista sénior da Generali AM, Martin Wolburg, sobretudo caso a confiança global nos EUA continue a deteriorar-se.