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As histórias que a ópera canta

O calendário dita que a nova temporada do canto lírico, de Nova Iorque a Milão, Paris, Madrid e Viena, se revele a partir de setembro. A tradição cumpre-se, com novas produções, algumas mais arrojadas, outras fiéis ao cânone. O mais importante é que a ópera está viva.

Porquê e para quê mexer em textos perfeitos? Ou a roçar a perfeição, para não choverem críticas a mordiscar o exagero. Macbeth é um texto que não esmorece, não perde vitalidade. Continua a convocar-nos. E se retrata, com a elegância e mordacidade do Bardo, o pior do ser humano, a verdade é que ganhou uma dimensão ainda mais portentosa quando, à escrita de William Shakespeare se uniu uma outra escrita, operática, de Giuseppe Verdi. A sempre atual história de ascensão, queda, traição e obsessão pelo poder faz com que Macbeth não olhe a meios para atingir e cumprir a profecia da sua subida ao trono. Enlouqueceu, corroído pela culpa e pelo receio de sofrer idêntico golpe fatal.
Está dado o mote para a nova temporada 2026-2027 da Metropolitan Opera (MET). Do outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, a 22 de setembro – ainda antes das midterms nos EUA, qual aperitivo para o que a política norte-americana poderá vir a ‘servir à mesa’ –, a MET leva a cena uma nova produção de Macbeth, volvidos 20 anos sobre a derradeira. Dirigida por Yannick Nézet-Séguin, conta com o barítono Quinn Kelsey no papel do rei escocês e com a soprano Lise Davidsen no papel de Lady Macbeth, acompanhados pelo tenor Freddie De Tommaso (Macduff) e pelo baixo-barítono Ryan Speedo Green (Banquo).
A outra estreia, Lincoln in the Bardo, inspira-se no romance de George Saunders e, segundo a crítica nova-iorquina, não poderia ter melhor adaptação, ao reunir o libretista Royce Vavrek e a compositora Missy Mazzoli. A estreia mundial, dirigida pela “imaginativa” Lileana Blain-Cruz, também sob a batuta de Nézet-Séguin, contará com intérpretes como Peter Mattei, Christine Goerke e Stephanie Blythe.

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