Quando pensamos em sauna, pensamos em quê concretamente? No spa de um hotel? Na área de relaxamento de um ginásio? Com a busca crescente de experiências de bem-estar, a sauna tem vindo a perder o seu significado original e o seu valor cultural. Tornou-se um produto de bem-estar, um espaço para ser consumido individualmente ou com outros. Dirão: ‘relaxar importa. Para quê problematizar?’ Relaxemos, então. Antes de lembrar que a sauna é feita de tradições, culturas e filosofias de vida e de habitação.
É isso que “Ridiculously Good Looking Saunas”, que a editora Gestalten vai lançar ainda este mês (em inglês), nos recorda. E se o título seduz pela estética, o seu autor, Christopher Selma – designer britânico e fundador do estúdio Out of the Valley, que projeta e constrói saunas artesanais utilizando exclusivamente materiais naturais – não se deixa limitar por ela. Invoca, também, aspetos que podemos ter esquecido. Quais, por exemplo? O facto de ser um espaço de conexão: com o próprio eu, em primeiro lugar, e depois com a natureza e com a alteridade. Onde está a ousadia? Talvez ela esteja em reconhecer na sauna um espaço de pensamento livre e radical. Livre das amarras da produtividade e radical por ir contra o ritmo frenético dos dias de hoje. Relaxamos?
A sauna como espaço de liberdade
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Christopher Selman viajou pelo mundo e agora devolve-nos o seu périplo por saunas ao ar livre como espaços que, além da estética, têm uma dimensão cultural e filosófica. E vai mais longe, ao considerá-las um espaço de liberdade que convida ao pensamento radical.