A TensorOps nasceu no início de 2022. Cláudio Lemos conheceu Gad Benram, que desenvolvia sistemas de aprendizagem automática e inteligência artificial (IA) desde 2014 e trabalhava como profissional independente. Benram precisava de reforço para responder aos projetos e Lemos juntou-se-lhe.
A procura depressa ultrapassou a capacidade dos dois freelancers e fez nascer a empresa. “É, antes de mais, uma história de amizade e uma verdadeira parceria entre dois engenheiros”, conta Cláudio Lemos, cofundador e CEO da TensorOps, ao Jornal Económico (JE). Simples.
O primeiro grande cliente foi a Notion, uma plataforma digital de produtividade e gestão do trabalho. “Foi nesse momento que percebemos o gap que havia no mercado, e a empresa nasceu global logo desde o primeiro dia”, diz Cláudio Lemos. A oportunidade estava na dificuldade das organizações em transformar experiências e protótipos em sistemas integrados na operação. “O objetivo nunca mudou: construir uma empresa de serviços nativa de IA, engineering-first, onde a IA chega à produção e cria impacto real na transformação do negócio”, explica.
Desde a fundação, trabalharam com mais de 50 organizações. De startups em fases iniciais, que a TensorOps considera poderem tornar-se líderes nos respetivos setores, a grandes empresas. Algumas foram, entretanto, adquiridas, o que o cofundador interpreta como sinal da qualidade dos projetos escolhidos. Desenvolveram projetos para clientes nos Estados Unidos, Israel, Coreia do Sul, Alemanha, Luxemburgo, Espanha e Portugal.
Atualmente, são uma equipa de 25 especialistas de IA, a tempo inteiro, “e a crescer”. Na sua maioria engenheiros séniores, vários com passagem e experiência a construir sistemas para a Meta, Microsoft e Farfetch.
O crescimento comercial TensorOps está agora concentrado no mercado norte-americano. Cláudio Lemos passa grande parte do tempo em Nova Iorque, enquanto Gad Benram, cofundador e diretor de tecnologia, trabalha a partir de Telavive. “São dois dos maiores hubs de inovação e tecnologia do mundo”, afirma. Mas a equipa de engenharia está em Portugal. “É uma decisão estratégica, não uma coincidência”, diz Cláudio Lemos. “As universidades portuguesas produzem talento de engenharia de um calibre que colocamos entre os melhores da Europa”, acrescenta.
A engenharia é a base de tudo. Tanto que a TensorOps trabalha com uma hierarquia que Lemos classifica como invertida. “O engenheiro lidera, e o manager existe para o guiar e desbloquear”, afirma. E tem resultado bem.
Um projeto estrategicamente instalado em Portugal
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Nasceu de uma amizade e da identificação de uma necessidade do mercado. E assenta em talento recrutado em Portugal, mas para atuar globalmente, desde o início.