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Ucrânia: Zelensky já tem oposição para o lugar de presidente

O ex-comandante-em-chefe da Ucrânia pretende candidatar-se. O também embaixador no Reino Unido, Valerii Zaluzhnyi, é a figura que quer acabar com hegemonia de Volodyymyr Zelensky desde que a Rússia invadiu o país.

Valerii Zaluzhnyi, ex-comandante-em-chefe das Forças Armadas da Ucrânia e atual enviado de Kiev no Reino Unido, parece estar disposto a candidatar-se às próximas eleições presidenciais assim que a situação o permitir. Zaluzhnyi é agora visto como o principal rival de Zelensky – que todos os analistas afirmam que quererá continuar como presidente depois de finda a guerra.

Segundo o jornal ucraniano ‘Ukrainska Pravda’, Zaluzhnyi foi convocado a Kiev em meados de junho, quando Zelensky quis, aparentemente, esclarecer quais são as pretenções políticas de Zaluzhnyi. O diplomata terá confirmado as suas intenções, que seriam uma forma de responder a iniciativas de várias pessoas nesse sentido.

No início de junho, a confiança pública em Zelensky entre os ucranianos era de 61%, segundo dados do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS). O resultado mais recente mostra que o apoio ao atual presidente permanece estável, em comparação com a sondagem anterior, realizada em abril. Parece claro para todos que, no atual ‘estado da arte’, Zelensky é praticamente imbatível.

A sondagem, citada pela agência Euronewa, também dá indicações sobre que figuras surgem, depois de Zelensky, no topo da apreciação positiva dos ucranianos. O presidente da autarquia de Kharkiv, Ihor Terekhov, (com 52%, face aos 61% de Zelensky), está bem posicionado.

O comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, Robert ‘Magyar’ Brovdi, registou um índice de confiança de 70% entre os entrevistados na sondagem, o que poderia conferir-lhe um lugar de destaque. Broydi é o responsável máximo por algumas das mais recentes e bem-sucedidas ações militares da Ucrânia, como os ataques com drones a Moscovo e na Crimeia.

O chefe do gabinete de Zelensky, Kyrylo Budanov, também é considerado confiável por 70% dos entrevistados. A popularidade e a confiança em Budanov foram consolidadas desde que assumiu o cargo de chefe da Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa (HUR).

Mas nem Brovdi nem Budanov manifestaram interesse em concorrer às eleições presidenciais, pelo menos não publicamente.

O resultado de Zaluzhnyi é o melhor de todos: 73%, o que pode torná-lo o principal rival de Zelensky caso as eleições ocorram em breve. O general Valerii Zaluzhnyi foi nomeado comandante-em-chefe das Forças Armadas da Ucrânia em julho de 2021, seis meses antes de a Rússia iniciar a invasão. A sua nomeação, supostamente impulsionada pessoalmente por Zelensky, surpreendeu muitos analistas. Após fevereiro de 2022, Zaluzhnyi tornou-se um herói nacional ao defender com sucesso a cidade de Kiev – que supostamente deveria ter sido tomada pelos russos em poucas semanas.

Quando as tropas ucranianas passaram da defesa à contraofensiva libertando a região de Kharkiv, o nome de Zaluzhnyi tornou-se sinónimo de bravura e determinação. Mas, novamente surpreendendo os analistas, em fevereiro de 2024, Zelensky substituiu aquele que entretanto tinha ganho o cognome de ‘General de Ferro’, afirmando que era a hora de "renovar a liderança" das forças armadas ucranianas após uma contraofensiva fracassada em 2023.

Nos bastidores, circulavam rumores de que Zelensky via a crescente popularidade do seu comandante supremo entre os ucranianos como uma potencial ameaça à sua própria posição. Um mês depois, Zaluzhnyi era ‘despachado’ para o Reino Unido.

 

Popularidade a descer

Entretanto, o jornal ‘Kiev Independent’ - que não é conhecido por ser ‘cegamente’ alinhado com Zelensky - publicava esta quarta-feira uma sondagem (da Rating Group) que indicava que a popularidade eleitoral de Valerii Zaluzhnyi caiu 9% entre julho de 2025 e junho de 2026. O Estudo indica que Volodymyr Zelensky teria 32% dos votos numa eleição presidencial realizada neste momento, enquanto Zaluzhnyi ficaria em segundo lugar com 16%. Budanov, ficaria em terceiro com 11%.

O jornal recorda que, em julho de 2025, Zelensky, Zaluzhnyi e Budanov teriam recebido 31%, 25% e 5% dos votos numa primeira volta, respetivamente. Numa segunda volta entre Zelensky e Zaluzhnyi, o atual presidente venceria com 42%, contra 39% do general. Ou seja, e para os analistas, o afastamento de Zaluzhnyi fez com que, premeditadamente ou não, o seu nome fosse sendo apagado do registo da memória dos ucranianos.

A imprensa ucraniana dá ainda conta de que membros do gabinete presidencial e do Conselho de Segurança tentaram convencer o general a desistir de uma candidatura alternativa à de Zelensky, argumentando que a sua candidatura causaria uma rutura social e uma campanha altamente confrontacional, mas o general manteve a sua posição. Outras fontes dizem que Zelensky chegou a ponderar a oferta de outros cargos de topo no Estado, incluindo o de primeiro-ministro, para evitar o confronto eleitoral, mas as negociações não avançaram.

A Ucrânia encontra-se sob lei marcial desde o início da invasão russa e a legislação proíbe explicitamente a realização de quaisquer eleições (presidenciais ou legislativas) durante este estado de exceção. O parlamento ucraniano tem prorrogado a lei marcial em períodos sucessivos de 90 dias. O decreto atual mantém a medida em vigor pelo menos até ao início de agosto.