A Europa já tinha voltado a provar a guerra depois de 1945 naquilo que quis entender como um confronto civil há muito antecipado – nos Balcãs, que, concluiu, não seriam mais que uma guerra civil entre os povos que haviam sido acantonados sob a designação bondosa de Jugoslávia, um sonho de Tito – mas foi em 24 de fevereiro de 2022 que o continente voltou ao seu medo maior: o confronto entre países europeus. Era uma vez mais o imperialismo russo que deva mostras de não ser confinável aos compêndios da História, tal como Vladimir Putin, o presidente da federação, tinha avisado: “penso que é óbvio que a expansão da NATO não tem qualquer relação com a modernização da própria aliança ou com uma garantia da segurança na Europa. Pelo contrário, representa uma provocação grave que reduz o nível de confiança mútua. E temos o direito de perguntar: contra quem se destina esta expansão?”. Era 2007, na Conferência de Segurança de Munique, ninguém quis entender: a expansão da NATO continuou no ano seguinte, com convites à Ucrânia e à Geórgia e Putin tratou de revisitar a teoria dos espaços vitais, uma aberração própria dos impérios – bem explícita, por exemplo, na nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos, que ainda não tem meio ano de visa.
Ucrânia: quatro anos de guerra sem paz à vista
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Ao cabo de 48 meses de guerra, nenhum esforço de paz foi bem-sucedido. Nem a Europa, parte diretamente implicada, conseguiu ter uma palavra a dizer, a não ser na circunstância de ser financiadora. Os mais céticos têm poucas duvidas: estamos a 12 meses de assinalar o quinto ano de guerra.