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Ucrânia: 76% dos ucranianos rejeitam entrega de territórios para pôr fim à guerra

Uma sondagem publicada esta segunda-feira revela que 76% dos ucranianos consideram inaceitável reconhecer os territórios ucranianos ocupados pela Rússia como parte do país invasor em troca do fim da guerra. Por outro lado, Zelensky desmente qualquer ataque ucraniano à residência de Putin.

O fim da guerra na Ucrânia pode enfrentar um novo problema – pelo menos para a parte dos Estados Unidos, que neste caso é também a parte da Rússia: uma nova sondagem publicada pela imprensa ucraniana esta segunda-feira revela que 76% dos ucranianos consideram inaceitável reconhecer os territórios do ser país e ocupados pela Rússia como parte do país invasor em troca do fim da guerra. A percentagem desta nova sondagem revela um aumento do número de ucranianos que se opõem ao desejo dos Estados Unidos e da Rússia: uma sondagem anterior dizia que os que os ucranianos que se opunham eram 62%.

A pesquisa de opinião, conduzida pela Fundação Iniciativas Democráticas Ilko Kucheriv (DIF), revelou que 76% dos dois mil adultos entrevistados em todo o país consideram inaceitável reconhecer os territórios ucranianos ocupados como parte da Rússia. Entre os entrevistados, 11% disseram que a pergunta era difícil de responder e apenas 13% consideraram aceitável a proposta de secessão do território. A maior percentagem de ucranianos que concordam que a Ucrânia deve reconhecer os territórios ocupados como parte da Rússia está, especifica o estudo, nas regiões central (22%) e de leste (21%). Nas regiões do sul, a percentagem desce para os 12%, e nas regiões do oeste para menos de 2%. Fica assim explícito que, quanto mais os ucranianos estão próximos da linha da frente da guerra, mais tendem a considerar aceitável que o país entre o Donbass à Rússia. O estudo foi realizado entre 5 e 16 de dezembro de 2025, em áreas controladas pelo governo ucraniano onde não havia combates ativos.

Entretanto, depois do encontro de domingo passado entre Volodymyr Zelensky e Donald Trump, o presidente ucraniano disse, citado pelas mesmas fontes, que está a tentar convencer Washington de aceitar dilatar o prazo para as garantias de segurança dos Estados Unidos para a Ucrânia, que estão definidas por um período de 15 anos: a prorrogação está prevista, mas Zelensky procura uma certeza imediata, que lhe permita ‘descançar’ mais alguns anos, sob o «chapéu’ de uma media parecida com o artigo 5º do Tratado de Washington, que instituiu a NATO. As garantias de segurança foram um dos tópicos discutidos durante a reunião de duas horas entre Zelensky e Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Zelensky descreveu as garantias atuais como "sólidas", embora tenha acrescentado que "por agora, elas não são permanentes". "Eu disse (a Trump) que a guerra já dura quase há 15 anos e que gostaríamos muito que as garantias fossem mais longas", disse Zelensky – referindo-se por certo ao ano de 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia. "Eu disse que gostaríamos de considerar garantias por 30, 40 ou até 50 anos, e que essa seria uma decisão histórica do presidente Trump. O presidente disse que pensaria no assunto." As garantias de segurança devem ser tripartidas entre a Ucrânia, os Estados Unidos e a Europa, a que se acrescentará como um acordo de segurança bilateral com os norte-americanos.

Zelensky acredita que o destacamento de tropas estrangeiras em solo ucraniano reforçaria as garantias de segurança já oferecidas pelos parceiros ocidentais. Segundo disse, uma medida do género garantiria que "Putin não voltaria a agredir a Ucrânia". O presidente ucraniano afirmou que as garantias de segurança efetivas também podem servir como condição para o levantamento da lei marcial.

Uma vez acordadas, espera-se que as garantias de segurança para a Ucrânia sejam aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos e pelos parlamentos de alguns países europeus. "Acredito que essas garantias de segurança devem e podem ser eficazes", disse Zelensky.

As delegações ucraniana e norte-americana planeiam reunir nos primeiros dias de janeiro para finalizarem as questões discutidas durante o encontro entre Trump e Zelensky. Ao falar sobre um possível encontro pessoal com Putin, Zelensky disse estar aberto a qualquer formato. Mas, como salientou, a "retórica pacífista" de Putin nas conversas com Trump contradiz as suas ações, visto que Moscovo continua os seus ataques implacáveis ​​à Ucrânia e busca ocupar mais território. "É importante que as ações e as palavras do líder russo estejam alinhadas", acrescentou Zelensky.

Zelensky acusou mesmo a Rússia de tentar sabotar as negociações de paz e de se preparar para bombardear prédios governamentais após o Kremlin afirmar ter frustrado um ataque de drones ucranianos à residência de Vladimir Putin. Zelensky descreveu a alegação como "mentiras típicas russas", que, na sua ótica, parecem não acontecer por acaso, mas sim após a reunião de domingo com Donald Trump na Flórida.

"Esta suposta história de 'ataque à residência' é uma completa invenção destinada a justificar ataques adicionais contra a Ucrânia, incluindo Kiev, bem como a própria recusa da Rússia em tomar as medidas necessárias para acabar com a guerra." O presidente da Ucrânia alertou que um ataque a um complexo governamental na capital é provável.

Recorde-se que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que a Ucrânia tinha tentado atacar a residência de Putin na região de Novgorod, ao sul de São Petersburgo. Como resultado, a posição negocial de Moscovo seria revista, disse. Lavrov disse que as defesas aéreas russas abateram 91 drones que se aproximavam da residência de Putin, que por certo não vive lá.