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Tudo o que a IA tem a aprender com o humano

O podcast “Puxar Pela Cabeça”, da Amrop Portugal, desafiou seis personalidades a partilhar visões e experiências sobre as transformações que poderão marcar a próxima década.

Antes que a inteligência artificial (IA) tome conta de tudo, ainda é possível juntar mentes iluminadas para perceber onde é que o factor humano ainda pode fazer a diferença e mostrar à tecnologia que irá sempre precisar de um cérebro à antiga para perceber aquilo que nunca poderá aprender. E isto é válido em vários contextos: do empresarial ao ensino superior, passando pela política, energia e até pelo jornalismo. A mais recente edição ao vivo do podcast “Puxar Pela Cabeça”, um programa da Amrop Portugal, conduzido por Maria da Glória Ribeiro (e que pode ouvir todos os meses no site do JE), juntou várias personalidades na Universidade Católica a 22 de outubro. Para esta conversa, moderada por João Marcelino, diretor do JE, este podcast contou com um auditório repleto para ouvir Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, Mário Crespo, jornalista, Adolfo Mesquita Nunes, Assunção Cristas, Rui Miguel Nabeiro e Maria da Glória Ribeiro. Estes especialistas partilharam visões e experiências distintas sobre as transformações que poderão marcar a próxima década. Sem cepticismo tecnológico mas com plena confiança nas capacidades humanas, os oradores convidados fizeram questão de reforçar que nem tudo gravita à volta da IA, seja na liderança de um gigante empresarial como a Delta Cafés (que está a caminho de entrar no top10 mundial) ou num processo de recrutamento liderado por Maria da Glória Ribeiro, onde nenhum candidato é bem-sucedido sem passar por uma reunião presencial. Esta especialista mostra a sua crença que as capacidades humanas irão sempre prevalecer enquanto a tecnologia não conseguir replicar a intuição ou emoção. Para Isabel Capeloa Gil, a IA terá o seu papel como extensão das possibilidades humanas mas o mercado irá sempre precisar de pessoas que pensem e que tragam valor e no entender de Adolfo Mesquita Nunes, que deu eco ao seu último livro “Algoritmocracia”, há um cenário que tem de ser contemplado: “Vamos atribuir decisões aos algoritmos em situações em que nunca pensamos atribuir-lhes competências”. Assunção Cristas encara as possibilidades tecnológicas como alavancas da sustentabilidade, e deu ênfase à importância de trazer os centros de dados para Portugal. O jornalista Mário Crespo encara a IA como algo sublime, mas deixou muitas dúvidas sobre se alguma vez irá atingir a eloquência de um grande orador. Para este profissional da comunicação com muitos anos de trabalho nos EUA, “habituamo-nos a reduzir os nossos standards de exigência e a aceitar a solução mais cómoda”. E como vê a relação de Trump com o Chat GPT? “Utiliza-o de forma muito curiosa e muito ridícula. Vivemos numa fase de absurdo”, conclui.

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