O presidente norte-americano voltou à carga para defender a proibição da exportação de gasóleo dos EUA para o resto do mundo. A medida iria colocar um sério problema à Europa, com os EUA a fornecerem 50% do gasóleo consumido no Velho Continente nos últimos meses.
"Estamos a pensar nisso muito seriamente", disse Donald Trump citado pela "CNBC".
O ministro da Energia dos EUA já disse que os EUA poderão optar por restrições em vez de impor uma proibição.
Os analistas da Argus Media avisam que qualquer restrição arrisca a colocar os preços do gasóleo na Europa "num nível sem precedentes.
A imprensa norte-americana já deu conta que a administração Trump prepara-se para proibir as exportações de gasóleo durante 90 dias.
A intenção já foi criticada pela indústria norte-americana e os analistas avisam que a situação pode piorar a crise global de combustíveis.
Está instalada uma tempestade perfeita, com a guerra no Médio Oriente a colocar pressão no mercado mundial de combustíveis, a par da guerra na Ucrânia e os ataques ucranianos a refinarias russas.
Apesar de a proibição de exportações dos EUA ter a capacidade de reduzir os preços numa fase inicial, tem o potencial de criar "reações adversas".
"Não só iria aumentar os preços globais do gasóleo", mas também levar as refinarias a produzir mais gasóleo em consequência dos preços mais elevados, reduzindo a produção de gasolina e colocando pressão também nos preços deste combustível.
O petróleo estava a subir quase 3% para mais de 100 dólares na segunda-feira.
A subida deve-se ao facto de o presidente norte-americano ter rejeitado uma proposta de paz do Irão com vista a terminar a guerra no Médio Oriente para que o estreito de Ormuz seja reaberto.
Donald Trump espera voltar a lançar ataques sobre o Irão após a realização das eleições intercalares nos EUA em Novembro, segundo o "Wall Street Journal".
"Eles fizeram uma proposta, mas rejeitei-a", disse o líder norte-americano quando questionado este fim de semana sobre a proposta iraniana.
Apesar do conflito, as exportações de crude da Arábia Saudita dispararam este mês: 6 milhões de barris por dia, o valor mais elevado desde o início da guerra há sete meses, colocando-as no patamar mensal registado em 2025.
O pipeline saudita Leste-Oeste tem sido responsável pelo aumento das exportações. Apesar de ter sido atacado este mês, as exportações dispararam sauditas dispararam quase 80% face aos 3,4 milhões de barris de crude exportados em agosto.
Os sauditas conseguem evitar assim o estreito de Ormuz. Apesar de a marinha dos EUA controlar uma via marítima junto a Omã, ainda existem riscos para a navegação com ataques do Irão.
As exportações via estreito de Ormuz atingiram uma média de sete dias de 13,2 milhões de barris na semana passada, face aos 17 milhões registados antes da guerra.
O pipeline já terá sido reativado, primeiro com baixos volumes que agora têm vindo a subir.
A recuperação das exportações do Médio Oriente, corresponde a "quase 90% do nível registado no início do ano, representando uma recuperação muito significativa face ao colapso observado durante a primavera", segundo os analistas do XTB.
"Esta recuperação está a acontecer através de uma alteração das rotas de transporte, uma vez que a Arábia Saudita está a aumentar progressivamente o número de barris transportados através do Estreito de Ormuz, graças ao apoio militar dos EUA. Estes movimentos, que começaram com apenas 11 navios numa primeira fase, contam já com 116 petroleiros, de acordo com algumas estimativas. Desta forma, o petróleo consegue fluir a um ritmo mais próximo do normal pré-conflito, embora com um custo e risco significativamente superiores", segundo os analistas.
Mas os preços elevados dos fretes (com cada viagem entre o Golfo e a China a valer 58 milhões), menos crude do Irão nos mercados, e a manutenção do risco geopolítico a continuarem a pressionar os preços.
"Sem um acordo, mas com uma solução alternativa funcional, o petróleo entra numa fase nova em que o volume e as exportações estão a regressar, atenuando cenários extremamente otimistas, mas os custos de transporte, as perdas iranianas e o profundo backwardation (visível na curva dos futuros) mantêm os preços num patamar elevado", segundo a XTB.