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Trump ameaça bombardear Teerão e abrir guerra total

Ameaça deu-se em retaliação aos ataques iranianos no Estreito de Ormuz. E a possibilidade de um ataque terrestre ensombra ainda mais qualquer evidência de que pode haver um acordo entre os dois países.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que Washington destruiria uma parte da infraestrutura civil — incluindo locais próximos da capital, Teerão — cada vez que o Irão atacasse um navio no Estreito de Ormuz. Donald Trump ameaçou que mandaria bombardear a infraestrutura civil iraniana se Teerão mantiver a disposição de disparar contra navios que tentam passar no estreito.

"A partir de agora, sempre que a República Islâmica do Irão atirar num navio no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, foguetes, drones ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma instalação elétrica", escreveu Trump nas redes sociais. E afirmou que a ameaça inclui instalações iranianas "localizadas próximo ou dentro da capital, Teerão".

O presidente dos Estados Unidos também reiterou as ameaças de atacar o que chama de complexo nuclear secreto iraniano, eventualmente instalado na denominada Montanha da Picareta. O Irão nega a existência de qualquer instalação no local, que denomina Montanha Kolang.

A ameaça de Trump ocorreu pouco antes de se dirigir a uma base aérea para receber os restos mortais de três soldados norte-americanos mortos em ataques iranianos contra instalações militares dos Estados Unidos no Golfo. O presidente dos EUA disse que iria "homenagear os nossos heróis, e eles são de facto grandes heróis". "Todos eles disseram, com muita convicção, que não podemos deixar o Irão ter uma arma nuclear. Vamos respeitar a decisão deles... Para mim, é uma das coisas mais difíceis de fazer como presidente, mas precisa de ser feita", acrescentou.

Para além dos ataques dirigidos à capital, dos bastidores da guerra continua a chegar a possibilidade de os Estados Unidos optarem por avançar no território iraniano – tal como já havia sucedido pouco depois do início dos ataques, a 28 de fevereiro.

Entretanto, as forças armadas da Jordânia informaram ter intercetado quatro mísseis iranianos sobre a região de Aqaba, enquanto outros dois caíram em "áreas desabitadas". O Irão tem evitado atacar Israel desde que as hostilidades foram retomadas no mês passado, aparentemente na esperança de impedir que o país volte a entrar na guerra. Mas o ataque a Aqaba, à vista de Eilat (Israel), aumentou as preocupações sobre uma possível expansão do conflito após o colapso do acordo de cessar-fogo. Outro alerta de mísseis soou no Bahrein, e a Arábia Saudita avisou os moradores da cidade de Dammam, no Golfo Pérsico, para que buscassem abrigo. Ao mesmo tempo, o Irão adverte a Bulgária (país nas margens d Mar Negro, sobre a disponibilidade para receber aeronaves norte-americanas em trânsito para o conflito no Médio Oriente.

A guerra no Irão já custou mais de 37,5 mil milhões de dólares (cerca de 32,9 mil milhões de euros) aos Estados Unidos. O valor foi oficialmente confirmado pelo secretário da Guerra, Pete Hegseth, numa comissão do Senado – onde foi repetidamente interrompido por pessoas que acusavam os Estados Unidos de matarem crianças iranianas e genericamente a população do país. A administração Trump pediu ao Senado um financiamento adicional urgente de 67 mil milhões de dólares. Segundo os analistas, não existe um consenso garantido: a aprovação do novo financiamento enfrenta uma forte resistência política na câmara alta. Embora o Partido Republicano (de Donald Trump) detenha o controlo maioritário da câmara, o avanço da proposta gerou acesos debates e divisões. Pode ser que tudo mude em novembro, depois das eleições intercalares: um dos cenários possíveis é que os republicanos percam uma ou mesmo as duas maiorias que detêm atualmente – no Senado e na Câmara dos Representantes.

A líder democrata do Comité de Transmissão de Fundos (Appropriations Committee), a senadora Patty Murray, declarou publicamente que os democratas não vão dar "um cheque em branco" para financiar esta guerra ou qualquer outra "aventura" de Trump no exterior. Senadores democratas, como Kirsten Gillibrand, questionaram Pete Hegseth, criticando o envio de "dinheiro ilimitado para bombas" enquanto “as famílias norte-americanas enfrentam dificuldades económicas para pagarem a alimentação”.

Tanto senadores democratas como alguns republicanos criticaram o facto de a Casa Branca não mostrar informações claras nem planos de longo prazo sobre o conflito desde o seu início. Recorde-se que o Senado chegou a aprovar uma resolução bipartidária (50 votos a favor e 48 contra) para tentar forçar a retirada de tropas e exigir aprovação prévia do Congresso para o uso de força militar, embora Trump mantenha o poder de veto.

Para tentar convencer os senadores mais hesitantes, o Pentágono argumenta que o financiamento adicional de 87,6 mil milhões de dólares (dos quais 67 mil milhões são para operações diretas no Médio Oriente) é "urgente e necessário". Segundo os relatórios das forças armadas apresentados à comissão, os arsenais de munições mais potentes dos EUA estão a esgotar-se rapidamente e precisam de ser repostos para garantir a segurança nacional.