Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que 87% das vendas e transações são feitas entre portugueses, sendo que 80% das vendas são troca de casa. "Isto é a base que justifica a dinâmica dos preços que estamos a viver. Este processo de troca de casa faz com que o mercado continue bastante ativo e com pressão nos preços", afirma em declarações ao Jornal Económico, Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal.
Depois de 2025 ter mostrado que o preço das casas em Portugal subiu 17,6%, o arranque do ano revelou que este valor não só aumentou para 17,8% no primeiro trimestre, como colocou o país com a maior subida no preço da habitação da União Europeia (UE), numa altura em que o pacote fiscal já se encontra em vigor. O CEO considera que este pacote tem medidas positivas, mas que não se vão refletir no imediato no mercado.
"É preciso coragem para dizer às pessoas e ao mercado que não há uma solução de curto prazo. A principal diria debilidade neste momento, é que as medidas estão demasiado generalizadas", afirma.
O responsável salienta que é necessário ter em consideração que as casas estão a ser vendidas e valorizadas com base nas habitações usadas e não na construção nova. "Em Portugal neste momento não há oferta de construção nova em volume suficiente nas principais zonas de pressão de procura, que são especificamente as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Como tal, defende que é preciso perceber para que segmentos de mercado temos de construir e como é que queremos construir. "Temos de olhar para as zonas onde tem serviços de transportes públicos. Se vamos construir numa zona que não tem conexão com os principais centros de emprego, onde as pessoas têm que fazer o seu dia a dia, o problema não se resolve. Temos que construir onde existem serviços de transporte público", reitera.
Ricardo Sousa sublinha que a procura devia ser muito mais direcionada para as famílias e para a população que não tem património, que não tem poupança e com rendimentos abaixo da média do seu território. É diferente um rendimento médio da cidade de Lisboa, de um rendimento médio da cidade da Guarda. Não é comparável", diz, acrescentando que o mesmo cenário deve verificar-se no lado da oferta.
"Devia de haver medidas mais direcionadas, não por autarquia, mas por região. Por zonas onde de facto há uma urgência superior naquilo que é a necessidade de habitação para esta população", afirma.
Já sobre este aumento ser o maior da UE, o CEO não fica surpreendido com o facto do ritmo de preço ser superior à média europeia. "Não é uma surpresa, é uma confirmação", refere.