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"Temos uma centralidade que nos posiciona como um espaço atrativo", diz presidente da Câmara de Barcelos

Advanced Shoe Factory (ASF 4.0), empresa do grupo francês Chamatex, vai abrir em Barcelos uma nova fábrica de calçado desportivo. Mário Constantino Lopes, presidente da Câmara Municipal, falou com o JE sobre o perfil do concelho como destino de investimento.

O presidente da Câmara Municipal de Barcelos, onde a empresa francesa Advanced Shoe Factory (ASF 4.0) se prepara para abrir uma nova fábrica de calçado desportivo, falou com o Jornal Económico (JE) sobre a captação de investimento estrangeiro para o concelho, apontando a sua "centralidade" como fator de "atratividade".

"Temos uma centralidade que nos posiciona como um espaço atrativo", defendeu Mário Constantino Lopes no dia em que a autarquia se pronunciou sobre os planos do grupo francês naquela região, apoiados pelo Gabinete de Apoio ao Investimento do Município de Barcelos e que contam com Carlos Tavares, antigo presidente executivo da Stellantis, entre os investidores. Na primeira fase de operações, com início em julho, a empresa francesa estima faturar 20 milhões de euros.

Para o autarca, cabe ao Executivo "potenciar essa localização" estratégica. "Estamos a uma hora do Porto, a meia hora de Braga e de Viana do Castelo, portanto três capitais de distrito, a 40 minutos do aeroporto internacional do Porto, a uma hora do aeroporto de Vigo e a 50 minutos do Porto de Leixões", listou.

Segundo Mário Constantino Lopes, a aposta da Advanced Shoe Factory em Barcelos tem uma "importância capital por dois grandes motivos": pela absorção dos trabalhadores da fábrica alemã Gabor, que levou a cabo um despedimento coletivo de cerca de 300 pessoas em dois anos, e pela captação de mais investimento para Barcelos.

Ao JE, Mário Constantino Lopes revela ainda que a autarquia quer apostar, através de parcerias com outros municípios vizinhos, nomeadamente Esposende, Póvoa de Varzim, Viana do Castelo e Braga, "em grandes áreas industriais para atrair mais investimento e investimento diversificado, dando corpo a esta dimensão de centralidade que potencia naturalmente uma facilitação da circulação de produtos e bens".

"Vamos criar condições para que as zonas industriais aconteçam e, a partir daí, estarmos em condições de competitividade. O nosso objetivo é também termos âncoras em termos empresariais que possam dar resposta às necessidades de crescimento económico do nosso concelho", explicou.

Sobre a unidade industrial da ASF 4.0, que se dedicará em exclusivo ao fabrico de calçado da marca Salomon numa primeira fase, está previsto o preenchimento de 210 postos de trabalho, número que deverá subir para 580 até 2030. Quanto à capacidade de produção anual, o município estima 500 mil pares.

A existência de "capital humano com experiência" na indústria terá sido "um incentivo extra" para a empresa francesa do grupo Chamatex escolher Barcelos, refere o presidente da Câmara. Além disso, Barcelos tem "a taxa de derrama mais baixa, se se considerar o pentágono urbano", acrescentou.

A primeira fase operacional da fábrica, que será instalada na freguesia de Silveiros, tem arranque previsto para julho, com duas linhas de produção. A partir de 2027, a unidade irá começar a fabricar produtos de outras marcas além da Salomon.

Além de Carlos Tavares, participou igualmente na ronda de investimento, que injetou nas contas cerca de sete milhões de euros, o campeão olímpico francês de judo Teddy Riner, um dos cinco business angels que investiram no projeto.

"Depois de vários anos ao serviço de grupos internacionais, quero dedicar mais tempo ao meu país, Portugal", explicou, em novembro do ano passado, Carlos Tavares, citado num comunicado do Chamatex Group. "Investir na ASF 4.0 é participar numa aventura industrial, o meu ADN há mais de 40 anos. A ASF 4.0, graças ao seu processo inovador, automatizado e único nesta indústria, abre novas perspetivas para a indústria do footwear", acrescentou.