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Setores nicho e floresta são os únicos a fugirem aos défices com Espanha

Entre obras de arte, joalharia, armas e pasta de papel e de madeira, poucas são as categorias que ficam no verde nas trocas com Espanha - e nem todos os anos isto tem sido verdade.

Espanha é destacadamente o principal parceiro comercial português, correspondendo a cerca de um terço das transações com a economia nacional e com quem Portugal mantém um défice comercial crónico. No entanto, categorias como a pasta de papel ou os metais preciosos e bijutaria conseguiram leituras positivas nos últimos anos, ao passo que outros segmentos centrais das exportações nacionais continuam sem conseguir competir no país vizinho.
Sendo um de apenas 15 países no mundo com um só país fronteiriço, Portugal regista uma dependência considerável do mercado espanhol em termos de trocas internacionais. Nos primeiros sete meses deste ano, 19,6% das exportações nacionais tiveram como destino o país vizinho, bem acima do segundo destino mais comum, a Alemanha, com 11,9%. Em valor, tal representou um crescimento homólogo de 955,3 milhões de euros nas vendas para Espanha, ou seja, um salto de 6,3%.
Em sentido inverso, as importações são ainda mais concentradas. As compras nacionais vindas de Espanha representam 31,2% do total, ou seja, quase um terço e próximo do triplo dos 11,7% que representa a Alemanha.
Os dados do INE mostram que a esmagadora maioria das categorias económicas registam défices comerciais com Espanha, com quem Portugal manteve um saldo negativo acima de 16 mil milhões de euros em 2025. No ano passado, apenas nas obras de arte a economia nacional conseguiu um excedente comercial – cenário que já se havia verificado em 2022, ano que fechou com um défice comercial de 14,4 mil milhões para Portugal.
Em 2024, também nas exportações de pasta de madeira e papel, além das gorduras e óleos animais e vegetais, a economia nacional conseguiu excedentes com Espanha – ou seja, ganhos concentrados mais uma vez no segmento agroalimentar e das florestas. No entanto, nas categorias tipicamente mais fortes das exportações nacionais, como os têxteis e calçado, os componentes automóveis ou os produtos químicos e metalomecânicos, os saldos são recorrentemente negativos, ilustrando a dificuldade de o tecido produtivo nacional conseguir competir com o espanhol.
Recuando ainda mais no tempo, 2021 foi ainda mais penalizador para as empresas nacionais, com todas as categorias de exportações no vermelho na relação com Espanha. As armas e munições registaram o défice menos pronunciado, tal como as obras de arte, algo consistente com a especificidade destes segmentos quase nicho, enquanto os animais vivos, metais, produtos minerais, produtos das indústrias químicas e as máquinas e aparelhos fecharam o ano todos com saldos negativos que superaram os mil milhões de euros.

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