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Sentir o pulsar do mundo em Veneza através de ondas sísmicas

Portugal faz-se representar em Veneza com “RedSkyFalls”, de Alexandre Estrela. Projeto que explora as fissuras no solo e no pensamento provocadas por ondas sísmicas. De 9 de maio a 22 de novembro, congelar de medo não é uma opção. Agitar a Sereníssima, sim.

Na manhã do dia 1 de novembro de 1755 a terra tremeu durante vários minutos, derrubando edifícios e espalhando os seus destroços por toda a parte. Minutos depois o rio cresceu pelas ruas da cidade, invadindo a baixa de Lisboa. Muitas pessoas que tinham fugido para as margens do Tejo para escapar aos edifícios que ruíam, foram apanhadas pelas águas. Quando as ondas se retiraram ficaram os incêndios que queimaram o que restava. Falou-se em punição, castigo de Deus. E enquanto a Inquisição zelava pelos seus negócios, as grandes mentes da época mergulhavam na reflexão. Kant foi um dos primeiros pensadores a tentar explicar os terremotos por causas naturais, e não sobrenaturais. Voltaire e Rousseau envolveram-se numa troca de ideias que ficou para a história. Leibniz tremeu perante a catástrofe que desafiou o otimismo que o Iluminismo cultivava. E o Marquês de Pombal, então ainda sem título, pôs em marcha a reconstrução da cidade.

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