A semana terminou com os mercados divididos. Os Estados Unidos foram surpreendidos na sexta-feira com um crescimento abaixo do esperado, de 1,4% no final de 2025, o que se traduz no crescimento mais fraco desde o primeiro trimestre do ano passado
Estes dados vieram aumentar as incertezas dos investidores em relação à política monetária norte-americana. A juntar a um fraco PIB, o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA chumbou as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump, afirmando que a administração excedeu a autoridade ao invocar uma lei federal para impor estas tarifas a vários países.
A semana foi ainda marca pela segunda volta das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, o que tem afetado o preço do petróleo. “O preço do barril de WTI acumula uma valorização de quase 5% esta semana, sustentado pelo aumento das preocupações quanto à possibilidade de um ataque militar em larga escala dos EUA ao Irão”, refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
O analista explica que “a escalada assume contornos cada vez mais preocupantes, com um segundo grupo de porta-aviões norte-americano a aproximar-se do Médio Oriente, enquanto as negociações entre as duas partes continuam sem produzir progressos significativos. Uma das prováveis consequências de um confronto militar em grande escala no Golfo Pérsico seria o encerramento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, interrompendo na prática o fornecimento de petróleo proveniente de uma das principais regiões produtoras do mundo”.
O presidente norte-americano deixou o aviso ao Irão que tinha entre 10 e 15 dias para chegar a acordo sobre o programa nuclear, deixando no ar uma possível escalada do conflito no Médio Oriente. Contudo, o embaixador iraniano na ONU já garantiu que o país não tem intenções de iniciar uma guerra com os Estados Unidos, o que fez os mercados “respirarem de alívio”.
Do lado europeu, sexta-feira chegaram dados a mostrar que o crescimento da atividade na zona Euro atingiu um máximo dos últimos três meses em fevereiro.
Para esta semana os investidores vão receber dados económicos importantes. Dos Estados Unidos vai ser conhecido o índice de confiança do consumidor da conference Board. “A queda acentuada levou-o ao nível mais baixo desde maio de 2014 (82,2), ultrapassando até
mesmo os níveis mais baixos do período da pandemia da Covid-19. Olhando para fevereiro, há
uma expectativa provisória de uma recuperação modesta da confiança”, referem os analistas da XTB.
Do lado europeu, a zona Euro vai conhecer a inflação, na quarta-feira. “. Espera-se um valor de 1,7%, abaixo dos 2,0%, com os mercados a anteciparem que o BCE possa manter as taxas em níveis baixos por mais tempo”, apontam.
Portugal também vai estar em destaque esta semana, com a divulgação do PIB e da inflação na sexta-feira. “A inflação tem vindo a desacelerar nos últimos meses — janeiro fixou-se perto de 1,9%, abaixo dos 2,2% de dezembro — e o mercado espera que fevereiro confirme esta trajetória de estabilização em torno dos 2%. Quanto ao PIB, depois de um crescimento moderado ao longo de 2025, os investidores vão avaliar se a economia mantém resiliência ou se começa a evidenciar sinais mais claros de abrandamento”, declaram.
Estes indicadores vão ser acompanhados da continuação da época de resultados do quarto trimestre de 2025, desta vez com a Home Depot, HP, Zoom, Salesforce, NVIDIA, Snowflake, Dell, CoreWeave, Intuit e Zscaler, a apresentarem os seus resultados.