Foi um dia muito negativo para as bolsas europeias, marcado pela escalada dos preços do petróleo e do gás natural, em reação aos conflitos no Médio Oriente após o ataque dos EUA e de Israel ao Irão no passado sábado e posterior retaliação do Irão.
Também Wall Street fechou em queda com o Dow Jones a recuar 0,83% para os 48.501,3 pontos; o S&P 500 tombou 1,05% para os 6.809,45 pontos; e o Nasdaq perdeu 1,02%vpara 22.516,7 pontos.
A Nvidia caiu 1,27% para 180,05 dólares, depois de ter sido noticiado que as autoridades estão a considerar limitar o número de exportações que a fabricante de chips pode fazer para cada cliente chinês. Por sua vez, a Paramount afundou 6,67% para 12,45 dólares, após a Fitch ter decidido cortar para lixo a dívida de longo prazo da empresa.
Na Europa a evolução dos mercados de ações foi ainda pior, como se os investidores estivessem a traçar um futuro mais negro para o continente europeu. Assim o Stoxx 600 tombou 3,08% e o EuroStoxx 50 caiu 3,59% para os 5.771,73 pontos.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo bruto gera receios de impacto económico e de que o efeito possa levar a um aumento das pressões inflacionistas, podendo conduzir a políticas de juros mais agressivas por parte dos Bancos Centrais.
Os preços do petróleo continuaram a subir nesta terça-feira, embora os ganhos tenham moderado depois de Donald Trump ter garantido que a Marinha iria escoltar os petroleiros através do Estreito de Ormuz. Tanto o petróleo Brent, referência europeia, como o West Texas Intermediate (WTI), referência americana, avançaram 4%, embora tivessem chegado a subir 7% ao início do dia, impulsionados pela escalada do conflito no Irão após ataques aéreos americanos e israelitas. Os especialistas afirmam que "as tensões continuam a afetar as perspetivas de fornecimento" pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado.
O fecho do Estreito de Ormuz desempenha um papel fundamental nesta subida, assim como o fecho do fornecimento de gás natural, cujos preços subiram mais 30% hoje, depois de um aumento de 40% ontem.
Um quinto do fornecimento mundial de petróleo e grande parte do fornecimento de gás natural passam por esta via navegável. Para agravar a situação, as seguradoras cancelaram a cobertura às companhias cujos navios optem por transitar pelo estreito.
Para Daniel Rocha, especialista em Investimentos, Economia e Geopolítica, o momento deve ser analisado com frieza estratégica: “Quando duas potências entram numa espiral de confronto direto, o risco deixa de ser apenas regional. Os mercados reagem rapidamente à incerteza, sobretudo quando estão em causa energia, rotas comerciais e estabilidade política", defende.
“A energia é um dos pilares da economia global. Sempre que existe risco de interrupção de oferta, os preços ajustam-se quase de imediato, e isso afeta empresas, consumidores e governos” refere Daniel Rocha.
O especialista em investimentos num comunicado enviado às redações diz ainda que "o que está em causa é o equilíbrio de poder numa região historicamente instável. Quando há sinais de possível mudança estrutural, os investidores tendem a reduzir risco e a procurar ativos considerados mais defensivos”.
A volatilidade tende a aumentar nestes contextos, especialmente em mercados acionistas e cambiais." O dólar, o petróleo e determinados ativos de refúgio costumam reagir com maior intensidade, por isso o especialista alerta para a importância de evitar decisões impulsivas", diz.
O euro recua 0,64% para 1,1613 dólares.
Os 'índices do medo' dispararam para máximos do ano
O sell-off das bolsas foi generalizado, atravessando mesmo o setor energético. O índice de ações espanhol, o IBEX, tombou 4,55% e em Lisboa o PSI recuou 4,24%, com todas as cotadas em queda. Os 'índices do medo' dispararam para máximos do ano, com o VIX a escalar 27% e o europeu Vstoxx a disparar 31%.
O FTSE 100 recuou 2,75% para 10.484,1 pontos; o italiano FTSE MIB perdeu 3,92% para os 44.468,5 pontos; o DAX desvalorizou 3,44% para 23.790,6 pontos; o CAC 40 fechou a deslizar 3,46% para os 8.103,8 pontos; o holandês AEX caiu 2,55%; e o índice grego ASE recuou 5,75%.
Donald Trump veio hoje dar garantias de segurança e escoltas navais aos petroleiros e outras embarcações que queiram atravessar o Estreito de Ormuz o objetivo é diminuir o impacto de uma potencial crise energética provocada pela guerra no Irão, que já está a levar os investidores a olharem com mais pessimismo para o futuro da política monetária dos EUA.