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Se o Trindade tivesse um slogan seria ‘amor ao cinema’

“Confiar” é um verbo chave na relação que o Trindade tem com o seu público. É esse voto de confiança na programação desta sala em pleno centro do Porto que faz a diferença na hora de ir ao cinema. Não é nostalgia pela sala escura. É saber que vale a pena arriscar. Confiar. Será por isso que, no panorama nacional, este é um dos raros espaços que cresce em espetadores?

Pensar a exibição de cinema de uma forma diferente. Assim, sem mais poeiras. A partir desta premissa, uma sala com nove anos de existência, no coração do Porto, tem vindo a mostrar que é possível ter espetadores e crescer sem desvirtuar a sua essência: ser um cinema de porta aberta para a rua, que é também um espaço-de-troca-de-ideias-e-de-encontros-e-de-afetos. Criámos esta imagem ligada por hífens para realçar a dimensão social do cinema. Deste cinema em particular. Que se abre à cidade e que recebe de volta. Como diz Américo Santos, diretor e programador do Cinema Trindade, “esse tem sido um dos aspetos mais evidentes do nosso espaço e daquilo que estamos a propor à cidade.”
Cristina Mota, também programadora do Trindade, esclarece que este “não é um espaço gerido à distância. É mesmo muito pessoal. E temos um empenho muito grande em conhecer o nosso público, em trocar opiniões.” O público, esse, é bastante diverso. Reflexo das propostas de programação, “diferentes das estreias tradicionais”, diz Américo Santos. “E temos percebido que o público mais jovem está mais ávido desse tipo de programação, do que propriamente das estreias em si. Salvo raras exceções, em que há um determinado filme que está na moda e toda a gente quer ver.” Não é invulgar haver filas à porta do Trindade. Uma imagem inesperada em tempos de salas vazias e audiências em queda. A fórmula do cinema com pipocas e anúncios publicitários está estafada?

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