Skip to main content

Saúde: É preciso “articular o setor privado, público e PPP", alertam especialistas

A gestão, seja ela no público ou no privado, não deve ser condicionada pelo financiamento. O foco é o resultado clínico. Foi uma das conclusões retiradas da conferência "Economia na Saúde", organizada pelo JE esta terça-feira.

A dicotomia entre sistema público ou privado no setor da Saúde está “ultrapassada”. Esta foi a ideia central do painel “Tratar os portugueses: Público, Privado, PPP”, organizada pelo Jornal Económico e que decorre no Auditório Morais Leitão, em Lisboa. O painel contou com José Bento, Presidente do Hospital de Cascais, Tamara Milagre, presidente da EVITA e Xavier Barreto, presidente da APAH. “As PPP são um exemplo disso. O Estado tem responsabilidade de dar orientações e tem em funcionamento um sistema de Saúde que nos deve orgulhar a todos”, diz José Bento, presidente do Hospital de Cascais. O responsável acrescenta ainda que o sistema de Saúde tem na base o SNS no tratamento integral da população. “A gestão, seja ela no público ou no privado, não deve ser condicionada pelo financiamento. O foco é o resultado clínico”, acrescenta.

Sobre o Orçamento para a Saúde (a rondar os 18 mil milhões de euros), José Bento acredita que o valor irá continuar a crescer porque o envelhecimento populacional está a aumentar. “Temos os profissionais certos, bons administradores hospitalares e dinheiro suficiente na Saúde. Temos de repensar os modelos e, no final do dia, articular o setor privado, público e PPP para termos os melhores resultados”, sublinha o presidente do Hospital de Cascais

Já Xavier Barreto, presidente da APAH, salienta que o SNS teve em 2025 a maior atividade de sempre, mas que não está a ser suficiente para conseguir responder à procura. “Temos que conseguir comparar o que está a ser feito no setor público com alternativas no setor privado e social. Temos de comparar resultados clínicos e esse é o cerne da decisão”, explica. O responsável acrescenta ainda que é necessário avançar mais no modelo de gestão dos hospitais públicos. “Temos hospitais públicos que não conseguem contratar um médico ou comprar um medicamento”, diz. Xavier Barreto diz ainda que é necessário dar novas competências aos profissionais de saúde. “Os gestores dos hospitais PPP vão tomar as melhores decisões para os hospitais que estão a gerir”.

Para Tamara Milagre, presidente da EVITA, o pilar principal da sustentabilidade de um sistema é a “prevenção, mas também do desperdício”. A especialista esclarece que o percurso do doente exige “uma idealização a todos os níveis”. A ajuda passa pelo digital com a ajuda da IA. “Os dados são a base de qualquer estratégia”.