Skip to main content

Proprietários afastam risco de aumento das rendas com descida do IRS

Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) afirma que os únicos riscos que existem para a subida das rendas da casa dizem respeito à legislação do arrendamento que ainda não foi alterada. "É o principal fator que impede as pessoas de colocarem as casas no mercado, porque temos uma lei extremamente draconiana para os senhorios", refere, salientando que o apoio fiscal é importante, mas não chega.

Os proprietários descartam um aumento nas rendas das casas no caso de passarem a pagar 10% de IRS em vez dos 25% para rendas até 2.300 euros. Um cenário, que de acordo com o último relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) levaria a receita fiscal do Estado a cair para menos de metade, impedindo assim o objetivo de conseguir controlar o preço das rendas.

"O risco do preço das rendas aumentarem não tem nada a ver com o IRS. Os únicos riscos que existem dizem respeito à legislação do arrendamento que ainda não foi alterada", afirma ao JE, Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP).

De resto, considera que o tema do IRS, a influência que tem é poder convencer mais pessoas a meter as casas no mercado. "Se a oferta aumentar, como se espera e já há indicações ou sinais de que está a haver aumento da oferta, o preço tende a baixar", refere, acrescentando que é preciso alterar a legislação.

"Há imenso tempo estamos a precisar dela. É o principal fator que impede as pessoas de colocarem as casas no mercado, porque temos uma lei extremamente draconiana para os senhorios. Enquanto não for alterada a legislação, é possível que as pessoas não tenham interesse em arrendar", sublinha.

O relatório da UTAO estima que o pacote fiscal para a habitação ultrapasse os 300 milhões de euros. O presidente da ALP, assume não ter a certeza que essa perda fiscal não ocorra, porque se houver mais casas no mercado, haverá também mais receitas e o Estado será compensado por essa via.

"O apoio fiscal sempre dissemos que é importante e estamos de acordo com ele, mas não chega. O essencial para combater de facto o aumento das rendas é voltar a flexibilizar a legislação. É a única situação que se pode colocar quanto a este aspeto. É preciso tomar medidas, porque hoje em dia ninguém quer arrendar.", salienta.

Para além da legislação, Menezes Leitão deixa o alerta para a falta de possibilidade de poder recorrer-se ao tribunal para comprar a casa no fim do contrato, porque os tribunais também são muito demorados.

"No fundo, temos toda uma teia enorme que deixa o contrato de arrendamento como um contrato de alto risco. Ou seja, se as pessoas deixarem de pagar, é quase impossível tirá-las de casa, a não ser passados vários anos e isso funciona como um grande desincentivo", refere.