Portugal desenvolveu uma aplicação para melhorar a navegação marítima em todo o mundo. É uma espécie de Waze dos oceanos que vai servir civis e militares a a guiarem-se por mares nunca dantes navegados.
Mas esta ferramenta vai mais além e vai estar na linha da frente de combate contra o contrabando de petróleo russo, tendo a capacidade para detetar os petroleiros que atuam de forma ilegal nos mares de todo o mundo para financiar a máquina de guerra do Kremlin e do regime de Vladimir Putin.
A frota-fantasma serve para a Rússia continuar a vender o seu petróleo em todo o mundo, apesar das sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022.
Esta rede de navios tem várias formas de operar: desligam os sistemas de localização (AIS); transferem petróleo em alto-mar entre navios para ocultar a origem da carga; usam a bandeira de países terceiros; os seus proprietários reais são difíceis de identificar.
Pode parecer apenas mais uma excentricidade do regime de Vladimir Putin, mas desenganem-se: esta é uma fonte de receita extremamente importante para o Kremlin.
A frota-fantasma conta atualmente com 600 a 800 navios, representando 10%-15% da frota global de crude, segundo o Geopolitics and Security Studies Center, da Lituânia. Por dia, transporta 3,7 milhões de barris, representando 65% do petróleo russo transportado por via marítima. Estima-se que gere entre 87 a 100 mil milhões de dólares de receitas por ano, segundo o think-tank americano Center for Strategic & International Studies. Este valor atinge, ou até supera, o valor total de assistência económica e militar fornecida à Ucrânia desde o início da guerra.
“Há uma complementaridade. A Força Aérea lançou o satélite SAR, uma tecnologia de radar, que permite observar através das nuvens. O CEiiA tem satélites de observação visível. Conjugando o que os satélites veem e os dados que temos, podemos verificar quais são os navios que estão a desligar o seu AIS. E então mandar patrulhas para verificar porque é que não estão com o AIS ligado”, revelou ao JE Ivo Vieira da LusoSpace.
A empresa tem estado em conversações com a Força Aérea Portuguesa. A ideia é: detetada uma embarcação suspeita, a LusoSpace consegue fazer uma “correlação” para ver se um navio “desligou o seu sistema de posicionamento para ficar ‘dark’, invisível”. Detetada alguma anomalia, são acionados os meios no terreno para verificar se se trata de um petroleiro-fantasma russo e tomar as devidas ações de neutralização.
Português Waze dos oceanos com poder para detetar petroleiros-fantasma russos
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Há uma empresa portuguesa que está a desenvolver uma constelação de satélites que conseguem detetar os petroleiros da frota-fantasma da Rússia. São mais de 600 a navegar os mares em todo o mundo e são cruciais para financiar a máquina de guerra do Kremlin.